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Membros do Grupo Interdisciplinar de Especialistas Independentes (GIEI), na Cidade do México, no dia 24 de abril de 2016

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Os especialistas da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) que ajudaram na investigação do desaparecimento de 43 estudantes no México apresentaram, neste domingo, seu relatório final no qual acusam o governo de obstruir seu trabalho e questionam o papel das forças federais na tragédia.

O Grupo Interdisciplinar de Especialistas Independentes (GIEI) conclui um ano de trabalhos sem que seja conhecido o destino dos 43 estudantes da escola de Ayotzinapa, desaparecidos na noite de 26 de setembro de 2014, em Iguala, Guerrero (sul).

No extenso relatório, os especialistas fazem duras observações sobre as formas de trabalho da Procuradoria Geral, o sistema penal e denunciam supostos caso de tortura contra 80% dos detidos.

O GIEI, integrado por dois advogados colombianos, outro chileno, uma ex-promotora guatemalteca e um psicólogo espanhol, denuncia também uma "forte campanha midiática" para desacreditar seu trabalho.

O relatório foi apresentado diante de centenas de pessoas que contaram do 1 ao 43 para depois gritar: "vivos os levaram, vivos os queremos". Em seguida respeitaram um momento de silêncio.

Os especialistas chegaram ao México em março de 2015 após um acordo do governo com a CIDH, seu mandato foi renovado, mas agora as autoridades, já em um aberto desacordo com os especialistas, rejeitaram outra prorrogação e o GIEI vai embora em 30 de abril.

O governo defendeu que o GIEI teve pleno acesso à investigação.

Segundo a procuradoria, os jovens, que tomaram cinco ônibus para utilizá-los em suas mobilizações, foram atacados na noite de 26 de setembro de 2014 por policiais municipais de Iguala e Cocula, que teriam os entregado ao cartel Guerreros Unidos. No ocorrido morreram três estudantes e três pessoas que estavam na região.

A chamada "verdade histórica", que a procuradoria defende e que o GIEI negou reiteradamente, é que os jovens foram assassinados por narcotraficantes, queimaram seus corpos no lixão da vizinha Cocula e jogaram as cinzas em um rio próximo.

Sem acusar diretamente as forças federais, o documento enumera "novos dados" sobre a participação de agentes da "polícia federal em uma detenção" e sua presença em um ponto de uma rodovia onde foi atacado um dos ônibus e onde também "estava presente um agente de inteligência do exército".

AFP