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Destroços do voo MH17 da Malaysia Airlines, em 26 de julho de 2014. Uma coluna de fumaça era observada na área, a menos de dez quilômetros do local onde estão os restos da aeronave.

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Os especialistas internacionais tiveram acesso nesta quinta-feira ao local onde o avião da Malaysia Airlines caiu no leste da Ucrânia, apesar da situação instável na região.

Os inspetores holandeses e australianos conseguiram, enfim, ter acesso ao local da queda, após várias tentativas frustradas desde domingo devido aos combates que tornaram impossível a investigação sobre essa tragédia que provocou uma nova escalada na crise e novas sanções contra Moscou.

"Sua missão foi bem-sucedida. Eles retornaram às 16h02 (10h02 de Brasília) para um local seguro", anunciou a Pr Presidência ucraniana após uma conversa por telefone entre o chefe de Estado ucraniano, Petro Poroshenko, e os premiês holandês, Mar Rutte, e australiano, Tony Abbot.

Apesar do êxito, os policiais holandeses que lideram as investigações indicaram que a situação continua "muito instável" no local da tragédia.

Pouco depois da chegada ao local de oito representantes da OSCE, dois australianos e dois holandeses, uma coluna de fumaça era observada na área, a menos de dez quilômetros do local onde estão os destroços da aeronave e os corpos das vítimas do Boeing 777 abatido por um míssil em 17 de lho com 298 pessoas a bordo.

Após reconquistar várias cidades nos arredores da catástrofe aérea, o comando militar ucraniano anunciou um gesto de boa vontade ao decretar "um dia de silêncio" nas zonas de combate a pedido do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

"Hoje há um cessar-fogo a pedido de Ban Ki-moon devido ao trabalho dos especialistas na zona onde o avião caiu. O Estado-Maior da operação antiterrorista decidiu decretar um 'dia de silêncio' e suspender os combates", declarou à AFP Oleksi Dmytrashkivski, porta-voz das forças ucranianas.

A tragédia do avião da Malaysia Airlines provocou reações do mundo inteiro e provocou o reforço das sanções contra Moscou, acusado de financiar a rebelião. As medidas ocidentais atingem principalmente setores vitais da economia russa, como seus grandes bancos públicos ou energia.

Missão armada holandesa-australiana

Os investigadores russos, que farão parte da equipe internacional sob os auspícios da Holanda, também chegaram nesta quinta-feira a Kiev e esperam visitar o local ainda hoje para examinar os destroços do avião.

Os peritos forenses da Holanda, que perdeu 193 de seus cidadãos na tragédia, visitaram o local da queda várias vezes, mas nenhum investigador encarregado de estabelecer as causas do desastre tiveram acesso às evidências por razões de segurança.

O Parlamento ucraniano aprovou nesta quinta o envio de uma missão militar holandesa-australiana, que deve proteger o local e permitir o trabalho dos investigadores.

"É muito importante a aprovação desses textos que permitirão um trabalho transparente no local do ato terrorista", ressaltou o presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, presente no Parlamento após uma votação a portas fechadas.

Segundo o texto dos acordos, a missão holandesa será composta por "militares e não militares", chegando a até 700 homens. A Austrália tem o direito de enviar até 250 homens, entre "policiais, militares e civis".

Além disso, o Parlamento ucraniano rejeitou nesta quinta-feira a renúncia apresentada pelo primeiro-ministro, Arseni Yatseniuk, com o objetivo de evitar uma nova crise política.

Ucrânia jamais entrará em default

Yatseniuk, um economista elogiado pelo Ocidente e no cargo desde fevereiro, anunciou sua renúncia em 24 de julho, depois da dissolução no Parlamento da coalizão governamental, que preparou o caminho para eleições legislativas antecipadas.

Os deputados rejeitaram na ocasião as leis impopulares destinadas a reconduzir as finanças deste país em profunda recessão e que se beneficiam de uma forte ajuda internacional.

Depois de anunciar sua saída, Yatseniuk voltou atrás e aceitou continuar à frente do governo ucraniano se o parlamento aprovasse as leis orçamentárias e fiscais, o que aconteceu nesta quinta.

Estas leis preveem medidas de economia orçamentária e um financiamento maior para as forças armadas mergulhadas no conflito no leste do país.

"Hoje há duas novidades importantes para a economia mundial. A primeira, é que a Argentina declarou moratória, a segunda é que a Ucrânia não está inadimplente, e nunca estará", comemorou Yatseniuk.

No plano militar, o presidente Poroshenko considerou que suas "forças armadas lideram uma ofensiva final bem-sucedida" e o chefe de Estado-Maior declarou que a Ucrânia tem a intenção de acabar em menos de um mês "com a fase ativa de sua operação militar" contra os separatistas pró-russos.

Mas Kiev, que denuncia a chegada incessante de armas da Rússia, exigiu explicações de Moscou sobre a realização de novas manobras militares envolvendo mísseis terra-ar S-300 no sul do país, perto da fronteira com a Ucrânia.

Por seu envolvimento no conflito ucraniano, a Rússia enfrenta a maior crise com o Ocidente desde o fim da Guerra Fria e tem sido punida com sanções econômicas sem precedentes.

Após os Estados Unidos e a União Europeia, foi a vez nesta quinta-feira do grupo de países do G7 ameaçar impor sanções contra a Rússia se ela se recusar "a escolher o caminho da desescalada" na Ucrânia.

Nesta quinta, a UE formalizou a adoção das novas sanções.

Na Grã-Bretanha, uma nova investigação "pública" deve ser aberta nesta quinta-feira sobre a morte do opositor russo Alexander Litvinenko, um assunto que causa atritos entre Londres e Moscou.

AFP