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Especialistas temem que normalização prematura cause segunda onda de infecções nos EUA

Mulher posa para foto na ponte de Brooklyn, em Nova York, em 10 de abril de 2020. afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 13. abril 2020 - 17:56
(AFP)

A primeira onda de infecções pelo novo coronavírus ainda não terminou nos Estados Unidos, mas especialistas advertem que uma segunda onda atingirá o país se o retorno à normalidade for muito rápido ou se acontecer a partir de maio, como espera o governo de Donald Trump.

O debate se assemelha ao que aconteceu na Europa, onde o governo espanhol autorizou hoje a retomada parcial do trabalho, enquanto o presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou a prorrogação da quarentena obrigatória para depois de quarta-feira.

A grande diferença é que o sistema federal americano é altamente descentralizado e concede plenos poderes aos governadores de seus 50 estados, mesmo se o presidente decidir coordenar uma estratégia nacional.

Após meio milhão de casos identificados, o número de infectados no país parece se estabilizar. Mas para o diretor dos Centros para o Controle de Enfermidades (CDC), Robert Redfield, isto não deveria levar a uma suspensão das regras de distanciamento social e trabalho remoto de uma hora para a outra. "A reabertura será um processo gradual, baseado em dados", disse esta manhã à rede de TV NBC.

O novo coronavírus não terá desaparecido após o fim do confinamento. A grande maioria da população continuará sujeita à infecção, até o desenvolvimento de uma vacina.

O objetivo da primeira fase era evitar que muitas pessoas adoecessem ao mesmo tempo e os hospitais ficassem congestionados. Mas o vírus continuará circulando.

"Acordem, até 50% deste país será infectado!", alertou hoje na rede de TV MSNBC Michael Osterholm, diretor do Centro de Pesquisas de Doenças Infecciosas da Universidade de Minnesota.

Autoridades planejam retomar lentamente a normalidade, enquanto monitoram um possível reinício da epidemia. Os projetos acadêmicos e de especialistas sobre como chegar a este estágio são abundantes, mas a Casa Branca ainda não formulou nenhum.

O presidente americano, Donald Trump, parecia, inclusive, incomodado com as declarações de um cientista que se tornou celebridade durante a pandemia, Anthony Fauci, diretor do Instituto de Doenças Infecciosas dos Estados Unidos e membro da célula de crise da presidência sobre o novo coronavírus.

O pesquisador assinalou na TV que o número de mortes poderia ter sido menor se o país tivesse reagido rapidamente. Trump, na defensiva, compartilhou ontem uma mensagem com a hashtag #FireFauci.

- 'No fim do começo' -

Todas as indicações de especialistas apontam que deve ser feito um número maior de testes e deve haver mais formas de rastrear os casos positivos e seus contatos, bem como os hospitais devem contar com um número maior de leitos.

"Se abrirmos o país em 1º de maio, não há dúvida de que haverá um aumento" dos casos da doença, alertou na CBS Christopher Murray, diretor do Instituto de Avaliação e Medição de Saúde da Universidade Estadual de Washington. Talvez alguns estados possam começar em meados de maio. Outros, não, assinalou.

O pior ainda não passou, e há o risco de passar uma falsa impressão de vitória. A costa oeste entrou em confinamento relativamente cedo e evitou o destino de outros estados, como Nova York, Nova Jersey, Louisiana e Michigan. No Texas, o governador deve divulgar esta semana um cronograma para aliviar o confinamento.

Não há dúvida de que começaremos a reabrir de forma arriscada. É inevitável", disse o especialista Scott Gottlieb, que esteve à frente da Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA). "Precisamos de um consenso nacional", insistiu o epidemiologista Michael Osterholm. "Isto não pode ser feito governador por governador. Não estamos no começo do fim, e sim no fim do começo. O caminho ainda é longo."

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