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Combatentes das FDS comemoram a retomada de Raqa

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A cidade de Raqa, ex-capital do grupo extremista Estado Islâmico (EI) na Síria, foi completamente tomada nesta terça-feira (17) pela aliança de combatentes curdos e árabes apoiada pelos Estados Unidos, após meses de combate.

A queda de Raqa, anunciada por um porta-voz das Forças Democráticas Sírias (FDS), representa uma grande derrota para o grupo ultrarradical, que tem visto seu "califado" desmoronar na Síria e no Iraque em razão das muitas ofensivas para expulxá-lo das regiões conquistadas a partir de 2014.

"As operações militares em Raqa terminaram (...) a cidade está sob controle total" das FDS, afirmou à AFP o porta-voz da aliança, Talal Sello.

"Agora começam as operações de rastreamento para eliminar as células dormentes, se encontrarmos, e para retirar as minas terrestres na cidade", acrescentou.

Segundo ele, as FDS devem "publicar um comunicado oficial para anunciar a libertação da cidade".

Esta manhã, as forças curdo-árabes tomaram o hospital e o estádio municipal no centro de Raqa, os dois últimos redutos onde dezenas de jihadistas estrangeiros estavam entrincheirados.

- Símbolo das atrocidades -

Raqa se tornou o símbolo das atrocidades cometidas pelo grupo extremista. Nesta cidade teriam sido planejados atentados contra vários países, sobretudo na Europa.

Segunda-feira à noite, as FDS anunciaram a "libertação total" do tristemente famoso cruzamento de Al-Naïm, onde o EI realizava suas execuções quando controlava a cidade.

"Há semanas os jihadistas se retiraram deste cruzamento, mas as FDS não conseguiram controlá-lo antes em razão das muitas minas terrestres", segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Ao redor, a paisagem é de desolação: edifícios em ruínas e ruas cheias de escombros.

Em mais de quatro meses de combates, 3.250 pessoas, incluindo 1.130 civis, morreram, segundo um balanço do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Desde 5 de junho, "1.130 civis, incluindo 270 crianças e de 2.120 combatentes" do EI e das forças apoiadas pelos Estados Unidos morreram, indicou o OSDH.

Nos últimos dias, em virtude de um acordo negociado pelos líderes locais e representantes tribais, os últimos civis que estavam presos na cidade puderam ser evacuados e os extremistas sírios foram autorizados a deixar a cidade, segundo as FDS.

Cerca de 275 jihadistas sírios e suas famílias foram evacuados. Não há informações, neste momento, se eles foram autorizados a ir para outras regiões ainda nas mãos do EI.

A coalizão internacional liderada por Washington reiterou em diversas ocasiões que os estrangeiros não seriam autorizados a deixar Raqa.

- 'Fim do terror' -

"A última coisa que queremos é que os combatentes estrangeiros sejam libertados e possam retornar ao seu país de origem e causar mais terrorismo", assegurou, no domingo, o porta-voz da coalizão, o coronel americano Ryan Dillon.

Para Um Abdallah, que fugiu da cidade há três anos, a "felicidade é indescritível".

"Quando minha irmã anunciou a libertação, começou a chorar e eu também", declarou o homem de 40 anos, atualmente instalado em Kobane.

Há vários meses, a organização ultrarradical tem sofrido sucessivas derrotas na Síria e no Iraque, diante das ofensivas apoiadas pela Rússia ou pelos Estados Unidos.

Na província de Deir Ezzor (leste), vizinha de Raqa, os jihadistas também enfrentam duas ofensas distintas: por um lado, as forças do regime sírio, apoiadas pela aviação russa, do outro, as FDS, apoiadas pela coalizão internacional.

As forças pró-regime conseguiram recuperar vastos territórios entre a capital provincial de Deir Ezzor e a cidade de Mayadin, na margem oriental do rio Eufrates, informou o OSDH nesta terça-feira.

"Não é uma região desértica, trata-se de localidades no rio Eufrates que foram redutos do EI", garantiu o diretor da OSDH, Rami Abdel Rahmane, à AFP. Os combates continuam em uma única localidade na área.

"Ao perder Raqa, o EI se encontra confinado em uma faixa de território ao largo do Vale do Eufrates", aponta Nicholas Heras, especialista do Center for a New American Security de Washington.

Iniciada em 2011 pela repressão do governo de Bashar al-Assad a protestos pacíficos pedindo por democracia, o conflito na Síria tornou-se mais complexo com o envolvimento de países estrangeiros e grupos jihadistas em um território cada vez mais fragmentado.

A guerra já causou mais de 330 mil mortes e milhões de deslocados e refugiados

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AFP