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Estilista francês Pierre Cardin morre aos 98 anos

(Arquivo) O estilista Pierre Cardi em foto de 27 de junho de 2019 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 29. dezembro 2020 - 13:18
(AFP)

O estilista francês Pierre Cardin, um profissional visionário e pioneiro do prêt-à-porter, faleceu nesta terça-feira (29) aos 98 anos - anunciou a família à AFP.

Cardin, um filho de imigrantes italianos que se transformou em um empresário mundialmente conhecido, morreu esta manhã no hospital americano de Neuilly, ao oeste de Paris.

"É um dia de grande tristeza para toda nossa família, Pierre Cardin não está mais aqui. O grande estilista que foi atravessou o século, deixando à França e ao mundo um legado artístico único na moda, mas não apenas", afirma a família em um comunicado.

"Todos temos orgulho da sua ambição tenaz e da ousadia que demonstrou ao longo da vida. Homem moderno, com múltiplos talentos e uma energia inesgotável, aderiu muito cedo aos fluxos da globalização de bens e comércio", completa a nota.

Pierre Cardin abriu antes de muitos outros um "posto de venda" em uma loja de departamentos e incluiu homens nos desfiles. Além disso, adotou um sistema de licenciamento em larga escala que assegurava a presença da marca em todo mundo. A estampa de seu nome passou a ser vista em produtos variados, que incluíram gravatas, cigarros, perfumes, ou água mineral.

"Meu objetivo era a rua, que meu nome e minhas criações estivessem na rua. As celebridades, as princesas... isso não era meu. As respeitava, jantava com elas, mas não as via em meus vestidos", dizia.

"Costureiro, estilista, embaixador da França, acadêmico, patrono, Pierre Cardin ao longo de sua vida fez um lindo trabalho. Obrigado, senhor Cardin, por abrir as portas da moda para mim e tornar meu sonho possível", tuitou o costureiro Jean-Paul Gaultier, lançado por Cardin.

"Pierre Cardin era um homem sem dúvidas extraordinário. Para ele, a criação não tinha comportamentos, nem fronteiras entre a moda, o design ou a arquitetura. Um sopro que impulsionou minha imaginação", disse à AFP o estilista Jean-Charles de Castelbajac, diretor de arte da marca Benetton.

- "O estilista mais velho" -

"Sou o estilista mais velho", disse Cardin à AFP em uma entrevista em 2019, quando tinha 96 anos, na qual reconheceu que estava preparando sua sucessão e tinha três criadores de seu ateliê para continuar produzindo roupas futuristas.

Pierre Cardin começou a trabalhar como aprendiz de alfaiate e, aos 14 anos, já sabia confeccionar os próprios desenhos. Essa habilidade rara hoje no mundo da moda lhe permitiu traduzir suas ideias em peças reais.

A história de Cardin se confunde com a da moda. Formado na Maison Christian Dior, ele a abandonou em 1950 para fundar a própria empresa e, em 1953, apresentou sua primeira coleção.

"Na Dior, aprendi a elegância, evidentemente", afirmou.

Sempre um precursor, ele olhou muito cedo para a Ásia, onde tinha uma grande reputação: viajou desde 1957 para o Japão, então em plena reconstrução pós-Segunda Guerra Mundial, e organizou desfiles na China a partir de 1979.

Seu "museu" pessoal, em Saint-Ouen (periferia de Paris), tem 3.500 metros quadrados destinados à moda, 3.500 metros quadrados para os móveis, e abriga quase 10.000 modelos que guardou desde o início da carreira.

"Italiano de nascimento, Pierre Cardin nunca esqueceu as origens, ao mesmo tempo em que mostrava um amor incondicional pela França", escreveu a família.

"Consagração suprema, finalmente foi o primeiro estilista a entrar para a Academia de Belas Artes, fazendo que a moda fosse reconhecida como uma arte de pleno direito", completa a nota.

No Instagram, a ex-modelo Carla Bruni também o homenageou. "Senhor Pierre Cardin, você partiu para se unir à sua Jeanne e outros anjos...", escreveu referindo-se à atriz Jeanne Moreau, com quem o estilista teve uma história de amor por quatro anos.

"Não é apenas um criador visionário, mas também um empresário revolucionário que desaparece", afirmou o bilionário François-Henri Pinault, presidente do grupo de luxo Kering.

"Um homem de imenso talento, que soube construir um diálogo magnífico entre Itália e França e que sempre procurou traçar um futuro ousado com uma estética futurística e inspirada", ressaltou seu concorrente no grupo de luxo LVMH, o bilionário Bernard Arnault.

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