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Estudantes da Universidade Central da Venezuela correm em meio à nuvem de gás lacrimogêneo durante confronto com a polícia em protesto contra o presidente Nicolás Maduro, em Caracas, em 4 de maio de 2017

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Estudantes universitários entraram em confronto nesta quinta-feira com a polícia em um novo dia de protestos contra o presidente Nicolás Maduro, que já deixaram 35 mortos em pouco mais de um mês.

Centenas de estudantes tentaram chegar ao Ministério do Interior, e os confrontos começaram quando os agentes da polícia de choque impediram a marcha dos alunos da Universidade Central da Venezuela (UCV), a principal do país, lançando bombas de gás lacrimogêneos, ação respondida por um grupo de jovens encapuzados com pedras e coquetéis molotov.

"Somos estudantes, não somos terroristas", gritavam os estudantes aos policiais que bloquearam uma das principais entradas à universidade com caminhões blindados.

Os estudantes, os mais combativos nas marchas, realizaram assembleias na UCV e em outras universidades em distintos pontos de Caracas, assim como em outras cidades do país, e depois saíram às ruas para rechaçar a Assembleia Nacional Constituinte convocada por Maduro, e para exigir sua saída do poder.

Um grupo chegou à Conferência Episcopal Venezuelana, no oeste de Caracas, onde entregaram uma mensagem à Igreja e ao papa Francisco, que expressou sua preocupação com a violência.

"Uma mensagem ao papa: estão nos matando, é uma ditadura. Que a Igreja se junte às mobilizações", revelou Santiago Acosta, da Universidade Católica Andrés Bello, ao entregar a carta.

O deputado opositor Manuel Olivares, que participou do protesto, reportou trinta feridos, nenhum com gravidade.

Na cidade de Valencia, 160 km a oeste de Caracas, choques entre manifestantes e policiais seguidos de saques ao comércio deixaram ao menos cinco feridos, um em estado grave, constatou a AFP na noite desta quinta-feira.

Vários veículos foram incendiados e os caminhões de carga pararam de circular temendo saques e atos de vandalismo.

O Ministério Público informou que os protestos, iniciados em 1º de abril, já deixaram 35 mortos e 717 feridos em diversos incidentes.

Segundo o relatório, o maior número de mortes teve "como consequência as manifestações" registradas na área metropolitana de Caracas, com 18 casos, seguidas por protestos nos estados de Carabobo (6), Lara (5), Mérida (2), Miranda (2), Barinas (1) e Táchira (1).

Entre as vítimas fatais estão quatro adolescentes, um militar da Guarda Nacional Bolivariana e um policial.

O relatório revela ainda 717 feridos durante os protestos, sendo 357 por "fatos relacionados a crimes comuns" e 329 em supostas "violações dos direitos fundamentais". "Por estes fatos há ainda 152 pessoas privadas de liberdade e 18 ordens de detenção".

Um dirigente estudantil morreu baleado quando participava de uma assembleia em uma universidade do estado de Anzoátegui (norte), mas a Procuradoria ainda investiga se o crime está relacionado com os protestos.

José López Manjares, de 33 anos, "estava em uma assembleia estudantil. No final, um dos participantes se aproximou e disparou vários tiros contra ele. Posteriormente, fugiu em uma moto", informou o MP.

López era presidente da Federação de Centros Universitários da Universidade Territorial José Antonio Anzoátegui. No ato ficaram feridas outras três pessoas, segundo o Ministério Público.

- "Não importa quanto gás engolirmos" -

As manifestações acontecem em meio a uma forte piora da economia, que atinge os venezuelanos com uma severa escassez de alimentos e remédios, e uma inflação considerada a mais alta do mundo, projeta para 720% em 2017, segundo o FMI.

"Perdi 10 quilos por causa desta situação do país. Luto para que isso melhore", declarou à AFP Daniel, um estudante de 20 anos, na UCV, no sudeste de Caracas.

Segundo pesquisas privadas, mais de 70% dos venezuelanos rechaçam a gestão de Maduro, que conclui seu mandato em janeiro de 2019. Para a oposição, sua saída antecipada do poder é a única solução à crise.

"Seguiremos nas ruas, apesar da forte repressão do regime, diante da gravidade da crise que o país vive hoje", afirmou Daniel Ascanio, da Universidade Simón Bolívar.

Acosta assegurou que continuarão pedindo eleições, embora o chamado à Constituinte deixe no limbo as pendentes eleições de governadores, que deveriam ter sido realizadas em 2016, de prefeitos em 2017, e as presidenciais em 2018.

"Vamos levantar nossas vozes não importa quanto gás engolirmos", declarou Rafaela Requesens, dirigente da UCV.

- "Uma batalha complexa" -

Maduro está decidido a levar à frente uma Assembleia Constituinte que abafe a ofensiva opositora nas ruas. "É o caminho da paz, da reconciliação da Venezuela", declarou nesta quinta-feira à emissora oficial.

"É uma batalha complexa, mas ninguém irá tirar de nós a nossa pátria", acrescentou o mandatário, que na terça-feira entregou ao poder eleitoral o decreto de convocação à Constituinte.

A oposição assegura que essa iniciativa consolida o "golpe de Estado" que, segundo afirma, foi iniciado quando o máximo tribunal de justiça assumiu temporariamente, no fim de março, as funções do Parlamento, único poder do Estado que controla.

Maduro afirma que seu projeto busca "reforçar" a Constituição impulsionada pelo falecido presidente Hugo Chávez (1999-2013) e que será uma Constituinte "popular" e não "de elites ou partidos".

Segundo o presidente, ela será composta por 500 membros da Assembleia, metade eleita por setores sociais e metade pela circunscrição municipal, fazendo com que, de acordo com especialista, o voto seja universal.

Maduro não explicou como serão definidos esses setores, em alguns casos divididos entre seguidores e opositores, como os estudantes, mas disse que terão ampla participação.

Como parte das gestões internacionais da oposição, o chefe do Parlamento, Julio Borges, apresentou em Washington ao secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, uma objeção formal à recente decisão do governo da Venezuela de se retirar do organismo.

"Não nos importa o que dizem as oligarquias latino-americanas, ou o lixo de Almagro", declarou Maduro, ao se referir também aos países da região que lhe pediram para que parasse a "repressão".

Um grupo de 15 congressistas americanos pediu nesta quinta-feira ao presidente Donald Trump que leve a situação da Venezuela ao Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Em uma carta, os membros da Câmara de Representantes solicitam ao governo que "use sua voz, voto e influência" no Conselho de Segurança para exortar a Venezuela a permitir a entrega de ajuda humanitária e o trabalho de organizações de assistência, além de exigir o fim das "violações dos direitos humanos", a realização de "eleições livres" e a libertação dos presos políticos.

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AFP