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A organização separatista armada basca ETA lançará a princípio seu desarmamento neste sábado, entregando à Justiça francesa informações sobre seus esconderijos

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A organização separatista armada basca ETA confirmou que no sábado concluirá seu desarmamento, após mais de 40 anos de violência e mais de 800 vítimas fatais, em carta publicada pela BBC pouco antes da meia-noite (hora local) desta quinta-feira.

"'O dia do desarmamento' é amanhã" (sábado), destacou o grupo na carta redigida em inglês e datada de 7 de abril, convocando manifestações em Bayonne, no sudoeste do país, para evitar que "os inimigos da paz" frustrem a iniciativa unilateral.

Mais cedo, o Partido Nacionalista Basco (PNV, conservador), o 'Euskadi Ta Askatasuna' (País Basco e Liberdade), considerado "terrorista" pela União Europeia (UE), anunciou que está pronto para se desarmar incondicionalmente em 8 de abril.

Segundo uma fonte próxima à organização deste desarmamento, o ato consistirá na comunicação à justiça francesa da localização dos esconderijos de armas no grupo.

A maioria de seu arsenal se encontra na França, de acordo com a mesma fonte. Ele seria composto por cerca de 130 armas e duas toneladas de explosivos.

Mais de 4.500 pessoas se somaram em dois dias a um manifesto promovido, entre outros, pela associação de vítimas do ETA, no qual pedem um fim sem impunidade ao grupo separatista armado basco.

O manifesto foi apresentado nesta quinta-feira em San Sebastian, dois dias antes do desarmamento incondicional programado da organização, classificado pelo texto como "uma entrega de armas midiática e propagandística, com uma conotação de auto-lavagem".

Os signatários afirmam que "a primeira coisa que deve ser exigida da organização terrorista, e de seu enredo político, é a condenação da história de terror do ETA".

Além disso, se mostram contrários a flexibilizar a política penitenciária contra os presos do ETA.

O manifesto, publicado na internet há dois dias, contrasta com outro apresentado na quarta-feira pela maioria dos partidos políticos bascos, com exceção do conservador Partido Popular, no qual exigiam que os governos francês e espanhol facilitassem o desarmamento do grupo separatista.

Madri mantém a sua postura. "Não haverá transações nem concessões com aqueles que provocaram tanto sofrimento, tanta dor e tantos anos de medo", disse o ministro do Interior, Juan Ignacio Zoido.

Em outubro de 2011, o ETA anunciou sua renúncia definitiva a mais de quatro décadas de luta armada pela independência do País Basco e Navarra, durante as quais foi acusado de 829 assassinatos, o último em 2010 na França.

Seu último atentado ocorreu em 2010, quando assassinou um policial na França, elevando o balanço final de mortes atribuídas à organização a 829.

Até agora, o grupo rejeitava o desarmamento e a dissolução unilateral exigida por Paris e Madri e pedia uma negociação sobre a situação de seus presos.

No entanto, recentemente o governo regional basco anunciou que o ETA estava pronto para se desarmar incondicionalmente em 8 de abril.

Este gesto de sábado será acompanhado por celebrações organizadas por associações e partidos bascos em Bayonne, no sudeste da França.

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