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(Arquivos) O candidato democrata Jon Ossoff, no dia 16 de abril de 2017

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Um candidato democrata quase conquistou na terça-feira (18) uma vitória absoluta em uma eleição para o Congresso americano no estado da Geórgia, mas a votação irá para o segundo turno.

A disputa está sendo vista como um teste de resistência ao presidente Donald Trump.

O democrata Jon Ossoff, de 30 anos, terminou em primeiro, com 48,1% dos votos, derrotando 17 outros candidatos no sexto distrito da Geórgia, tradicionalmente conservador, mas não conseguiu superar a barreira de 50% para vencer no primeiro turno.

"Desafiamos todas as possibilidades e superamos as expectativas, e estamos prontos para lutar e ganhar em junho. Avançamos para a vitória", disse o candidato.

"Não há qualquer dúvida de que se trata de uma vitória memorável", acrescentou Ossoff.

Sua adversária para o segundo turno, em 20 de junho, será a republicana Karen Handel, ex-secretária de Estado da Geórgia, que recebeu apenas 19,8% dos votos.

Vencer no segundo turno será um desafio para Ossoff, porém, já que Handel certamente será beneficiada pela união de seu partido ao redor de apenas uma candidatura em um distrito conservador.

Hoje, Trump voltou a manifestar seu apoio à republicana, para quem telefonou para felicitar.

"Os democratas fracassaram em Kansas e, agora, fracassam na Geórgia", tuitou Trump, referindo-se à eleição para o Congresso na semana passada, em um subúrbio de Wichita, onde os democratas ganharam menos votos do que o esperado.

"Agora é Hollywood contra a Geórgia em 20 de junho", completou, em uma clara alusão às celebridades que apoiam o democrata.

Republicana 'confiante'

Jon Ossoff, que na terça-feira disse visar a "uma vitória definitiva", reconheceu que uma "eleição parcial é sempre especial. É difícil prever o resultado".

Celebrou, contudo, apontando para seus fervorosos eleitores que ele e os democratas "superaram as expectativas" com o resultado.

"Não há dúvida de que isto já é uma vitória. Estaremos prontos para disputar e vencer em junho", afirmou.

Desde 1978, nenhum democrata foi eleito nessa circunscrição de uma periferia branca, relativamente abastada e conservadora de Atlanta.

Os democratas esperavam que Ossoff conseguisse capitalizar o baixo índice de popularidade de Trump e transformar esse pleito em um teste dos primeiros 100 dias da presidência do republicano.

A eleição em apenas um distrito chamou a atenção do país. Os democratas sonhavam com provocar um forte sentimento de vergonha em Trump e iniciar uma revolução política, tendo o objetivo de retomar o controle da Câmara de Representantes nas eleições de meio de mandato de 2018.

A ameaça política representada por Ossoff incomodou Trump, que gravou uma mensagem para pedir aos republicanos que votassem para bloquear os democratas.

Na madrugada desta quarta-feira, Trump voltou a se envolver e clamou vitória.

"Apesar de muito dinheiro de fora, do apoio da mídia FALSA e de 11 candidatos republicanos, o Partido Republicano vence com o segundo turno na Geórgia. Feliz por ajudar", escreveu Trump no Twitter, acrescentando que "o democrata Jon Ossoff seria um desastre no Congresso".

Vários líderes democratas e celebridades apoiaram publicamente o candidato Ossoff.

"Lembrem-se da última vez em que as pessoas não foram votar. Nós acabamos com Trump", declarou o ator Samuel Lee Jackson em um spot de rádio.

As estatísticas refletem o engajamento para essa votação: é a 11ª eleição mais cara da história da Câmara dos Representantes, de acordo com a organização especializada em financiamento eleitoral Center for Responsive Politics.

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