Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

Combatentes do braço armado do movimento palestino islamita Hamas, em Khan Yunis, em 20 de julho de 2017

(afp_tickers)

Um eventual governo de unidade palestino formado por Al Fatah e pelo movimento islamista Hamas deve reconhecer Israel, desarmar o Hamas e abrir mão da violência - afirmou nesta quinta-feira (19) o enviado americano para o Oriente Médio, Jason Greenblatt, expondo a primeira reação de Washington ao acordo palestino de reconciliação.

O Hamas rebateu a declaração de imediato e rejeitou uma "ingerência flagrante" dos Estados Unidos nos assuntos palestinos, sem afirmar, diretamente, se pretende atender a essas demandas.

"Qualquer governo palestino deve, sem ambiguidade e de maneira explícita, se comprometer com a não violência", defendeu Greenblatt, que visitou a região várias vezes para buscar caminhos que levem ao relançamento do processo de paz.

Também deve "reconhecer o Estado de Israel, aceitar os acordos e as obrigações entre as partes - incluindo o desarmamento dos terroristas - e se comprometer a desenvolver negociações pacíficas", insistiu o enviado do presidente Donald Trump.

Essas condições estão alinhadas com as posições já divulgadas pelo Quarteto para o Oriente Médio, integrado por Estados Unidos, Rússia, União Europeia e ONU.

"O Hamas deve aceitar essas condições fundamentais, se aspira a desempenhar algum papel em um governo palestino", acrescentou Greenblatt, em uma nota.

O comunicado também é similar à resposta do governo israelense, esta semana, que prometeu não negociar com um governo de união palestino que inclua o Hamas - a menos que o movimento aceite uma lista de condições.

Entre elas, está o reconhecimento de Israel e a renúncia à violência, assim como a devolução dos corpos dos soldados israelenses mortos em Gaza.

Bassem Naim, funcionário de alto escalão do Hamas, condenou o comunicado de Greenblatt e acusou os Estados Unidos de adotarem as posições do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

"É uma ingerência flagrante nos assuntos palestinos. Nosso povo tem o direito de eleger seu próprio governo em função de seus interesses estratégicos", disse Naim à AFP.

As duas principais formações palestinas - o Fatah, laico e moderado, e o Hamas - entraram em um acordo na semana passada para que a Autoridade Palestina, internacionalmente reconhecida e que deve constituir a base para um futuro Estado palestino, assuma até 1º de dezembro a gestão da Faixa de Gaza. Foi expulsa de lá em 2007 pelo Hamas.

Desde então, a Autoridade Palestina, dominada pelo Fatah, exerce apenas um controle limitado na Cisjordânia ocupada.

As autoridades palestinas disseram querer negociar a formação de um governo de unidade. Um novo encontro entre os diferentes movimentos palestinos está previsto para 21 de novembro.

Trata-se da enésima tentativa de reconciliação, motivo pelo qual o ceticismo é grande. Na última vez, em 2014, ano da última guerra entre Hamas e Israel, os esforços fracassaram. Os palestinos haviam constituído um governo formado por tecnocratas não afiliados oficialmente aos dois partidos.

O retorno da Autoridade Palestina a Gaza é uma "peça central do quebra-cabeças da paz", disse ontem o subsecretário de Assuntos Políticos da ONU, Miroslav Jenca, lembrando que o Quarteto considera as divisões palestinas "um dos principais obstáculos" para uma solução com dois Estados.

Nesse contexto, o Hamas está cada vez mais isolado, e as condições humanitárias se deterioraram na Faixa de Gaza nos últimos meses, incluindo cortes de energia.

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, impôs uma série de sanções à Faixa de Gaza para pressionar o Hamas, como deixar de pagar o fornecimento de energia provido por Israel.

O Hamas recorreu, então, ao Egito, na esperança de que abrisse a passagem de Rafah. Em resposta, as autoridades egípcias pressionaram o movimento a se reconciliar com o Fatah.

Um dos temas ainda à espera de solução é o da segurança em Gaza e o futuro do braço armado do Hamas, com cerca de 25 mil homens armados.

Neuer Inhalt

Horizontal Line


subscription form

formulário para solicitar a newsletter

Assine a newsletter da swissinfo.ch e receba diretamente os nossos melhores artigos.

swissinfo.ch

Banner da página Facebook da swissinfo.ch em português

AFP