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O repórter da Agência France-Presse Paul Guihard foi assassinado no campus da Universidade do Mississippi em 30 de setembro de 1962, durante protestos envolvendo os direitos civis nos Estados Unidos

(afp_tickers)

Era 30 de setembro de 1962 quando o repórter da Agência France-Presse Paul Guihard chegou ao campus da Universidade do Mississippi.

O gás lacrimogêneo tomou o local quando os US Marshalls (agentes do Departamento de Justiça dos EUA) entraram em confronto com estudantes que lançavam pedras e se opunham à admissão do primeiro afro-americano nesta escola branca, conhecida como "Ole Miss".

Antes que a noite terminasse, Guihard, de 30 anos, estaria morto com um tiro nas costas que perfurou seu coração.

Ele é o único jornalista que se sabe que foi morto durante o movimento de direitos civis que invadiu os Estados Unidos na década de 1960. Seu assassinato nunca foi resolvido.

A morte de Guihard e as histórias de 12 jornalistas americanos que cobriram a violência envolvida na segregação do campus, em 1962, são tema de um novo livro, "Nós acreditávamos que éramos imortais" (tradução livre), de Kathleen Wickham, professora de jornalismo na Universidade do Mississippi.

O livro, publicado pela Yoknapatawpha Press, foi lançado no sábado para marcar o 55º aniversário do assassinato de Guihard e dos tumultos na Universidade do Mississippi contra a admissão do estudante negro James Meredith, que tinha servido na Força Aérea dos Estados Unidos.

Em uma entrevista à AFP, Wickham disse que foi atraída pela história de Guihard porque foi esta foi praticamente esquecida.

"Eu fiquei pessoalmente ofendida com o fato de que um repórter foi morto e nada foi escrito sobre isso", disse. "Eu queria que ele fosse reconhecido".

Ela também estava determinada a descobrir o que aconteceu com Guihard naquela noite no campus "Ole Miss", onde centenas de agentes federais entraram em confronto com milhares de opositores da integração, até que as tropas americanas fossem enviadas para restaurar a ordem.

"Eu trabalhei nisso como uma investigação para tentar determinar quem o assassinou", disse a autora. "Porque há alguém por aí que sabe o que aconteceu".

A Divisão de Direitos Civis do Departamento de Justiça dos EUA encerrou sua investigação sobre a morte de Guihard em 2011 sem apresentar acusações, e Wickham, apesar da sua busca intensiva, não conseguiu chegar a conclusões definitivas.

"Embora as teorias abundem, o assassinato de Paul continua sendo um mistério", afirma no livro.

O que está claro é que Guihard foi deliberadamente alvejado naquela noite. A bala de calibre .38 que o matou foi disparada nas suas costas a menos de um metro de distância, de acordo com o relatório da autópsia.

- O último dia de Guihard -

Guihard, filho de uma inglesa e um francês, cresceu em St Malo, na costa oeste da França, e serviu no exército britânico no Chipre, de acordo com o livro.

Homem corpulento e ruivo, Guihard era revisor no escritório da AFP em Nova York quando foi enviado para o Mississippi para cobrir o conflito em torno da dessegregação, de acordo com o livro. Ele foi acompanhado por um fotógrafo, Sammy Schulman, um nova-iorquino de 56 anos.

Depois de voar de Nova York para Jackson, Mississippi, Guihard e Schulman alugaram um Chevrolet branco e foram para a mansão do governador, onde 3.000 pessoas estavam participando de uma manifestação contra a integração promovida pelo Conselho de Cidadãos Brancos (White Citizens Council), uma espécie de Ku Klux Klan da alta sociedade, conta o livro.

Sua mensagem era simples: tomar as armas para defender o status quo de uma América branca contra o perigo representado pela decisão da universidade.

Guihard e Schulman decidiram dirigir até a Universidade do Mississippi, em Oxford, a cerca de quatro horas de distância.

Durante o trajeto, eles ouviram no rádio o discurso do presidente John F. Kennedy, que havia ordenado que os US Marshals aplicassem as decisões judiciais para que Meredith pudesse comparecer a aulas na Universidade do Mississippi.

Guilhard e Schulman chegaram ao turbulento campus em torno das 20h40, logo após o fim do discurso de Kennedy, e foram parados por um patrulheiro da rodovia estadual do Mississippi.

"Eu não posso garantir sua vida nem sua propriedade se você for de carro", advertiu o patrulheiro, citado por Wickham.

Guilhard e Schulman entenderam o aviso e seguiram para o campus. Estacionaram o carro e combinaram de se encontrar novamente no veículo em uma hora.

Menos de 10 minutos depois Guihard estava morto.

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AFP