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O presidente americano, Donald Trump

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Estados Unidos, México e Canadá se preparam para dar início, nesta semana, à revisão do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta, na sigla em inglês), um acordo vital para a economia mexicana que Donald Trump prometeu revogar.

Os negociadores dos três países vão se reunir entre quarta-feira e domingo em Washington para atualizar o texto de 1994, que aboliu as fronteiras aduaneiras para permitir a livre-circulação de bens e serviços entre eles.

Alvo de duras críticas do presidente americano durante sua campanha eleitoral, a renegociação do Nafta deve ser espinhosa.

Desde sua origem, o tratado é muito controverso. Seus detratores o acusam de ser injusto e acabar com empregos; os defensores, afirmam que impulsionou o crescimento. Sua revogação foi repetida como um mantra durante a campanha eleitoral de Trump, que qualificou o acordo como um "desastre".

A renegociação é, portanto, crucial para o presidente americano, que deve dar um sinal de força política apreciado por seus eleitores.

"Não há outra escolha senão agir. É indispensável politicamente", disse à AFP Edward Alden, do influente centro de análise Council of Foreign Relations (CFR).

"Em algum momento" das negociações, Trump precisa de algum resultado que possa exibir como prova de "vitória".

- Déficit, dependência e subsídios -

Os Estados Unidos lamentam sua balança comercial com o México, que, desde a assinatura do tratado, passou de um excedente de 1,3 bilhão de dólares a um déficit de 64 bilhões de dólares.

Para a economia do México, contudo, o Nafta tornou-se crucial, já que o país envia aos Estados Unidos cerca de 80% de suas exportações, sobretudo de bens industrializados e agrícolas.

O acordo impulsionou significativamente o setor automotivo mexicano, que cresceu graças à oferta de mão de obra barata, estimulando fabricantes americanos a fecharem fábricas em seu país.

"Muitos americanos foram prejudicados pelas fábricas fechadas, pela perda de empregos e pelas promessas políticas fracassadas", disse no mês passado o Representante de Comércio Exterior dos Estados Unidos (USTR), Robert Lighthizer.

A balança comercial dos Estados Unidos com o Canadá é mais equilibrada, mas a relação também tem pontos de tensão em alguns setores, entre eles os de laticínios, vinhos e cereais, que Washington acusa de serem subsidiados.

Nessas negociações, "é preciso evitar se tornar outro bode expiatório", disse na segunda-feira a ministra de Relações Exteriores do Canadá, Chrystia Freeland.

- Caminho longo -

A revisão do Nafta foi uma cobrança dos Estados Unidos, mas os três países concordam com a necessidade de rever o acordo de quase um quarto de século atrás, desenvolvido antes da era da internet, para trazer benefícios a todos.

"Cada país sente que tem muito a ganhar com essas negociações", disse Jeffrey Schott, especialista do Nafta no Instituto Peterson de Economia Internacional.

Um bom acordo para os três países vai melhorar a competitividade da América do Norte frente à Ásia, destacou Alden.

O governo de Trump disse que quer um resultado rápido das conversas, algo pouco provável para os especialistas. Ao pontapé inicial desta semana se seguirá uma segunda rodada de negociações a partir de 5 de setembro no México.

"A primeira rodada serve basicamente para apresentar algumas ideias iniciais e explicá-las. Provavelmente, os negociadores não vão debater os temas mais polêmicos na primeira rodada", disse Schott.

Ele alertou que, se Washington insistir no estridente "America First", o slogan da campanha de Trump, seus vizinhos podem se irritar.

A ministra canadense advertiu que as negociações podem chegar a "momentos dramáticos" e indicou que seu governo tem uma atitude construtiva, mas firme. "Nos comprometemos a fechar um bom acordo, não qualquer um", disse.

Do lado mexicano, analistas sinalizaram que as eleições presidenciais e parlamentares de 2018 vão pesar politicamente.

"O México provavelmente está na posição mais frágil dos três", por sua dependência do Nafta, opinou Alden, que espera pelo menos dois anos de negociações.

O país latino-americano tem, contudo, uma experiente equipe de negociação, bem como um forte mercado consumidor para alguns setores americanos, como a agricultura, completou Alden.

"O México também tem muita influência", afirmou.

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AFP