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Os cientistas deixaram estes embriões modificados se desenvolverem apenas por poucos dias

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Pesquisadores dos Estados Unidos conseguiram modificar genes defeituosos em embriões humanos, pela primeira vez no país, utilizando a revolucionária técnica de edição genética CRISPR, informou nesta quinta-feira a revista MIT Technology Review.

"Os resultados deste estudo devem ser publicados em breve em uma revista científica", indicou na quinta-feira à AFP Eric Robinson, porta-voz da Universidade de Ciências e Saúde de Oregon (OHSU), onde a pesquisa foi realizada.

"Infelizmente, não podemos proporcionar mais informações nesta etapa", acrescentou.

De acordo com a publicação, que cita um dos cientistas da equipe, os experimentos permitiram demonstrar que é possível corrigir de forma eficaz e sem riscos os defeitos genéticos responsáveis por doenças hereditárias.

Os cientistas deixaram estes embriões modificados se desenvolverem apenas por poucos dias.

Pesquisadores chineses foram os primeiros a modificar, em 2015, os genes de um embrião, obtendo resultados variados, segundo um relatório publicado pela revista britânica Nature.

A técnica CRISPR/Cas9, mecanismo descoberto em bactérias, representa um imenso potencial na medicina genética, permitindo modificar os genes de forma rápida e eficiente.

Trata-se de uma espécie de tesouras moleculares que podem, de maneira muito precisa, eliminar as partes não desejadas do genoma para substituí-las por novos fragmentos de DNA.

Se esta técnica é capaz de corrigir os genes defeituosos responsáveis por doenças, também poderia, teoricamente, produzir bebês com características físicas determinadas (cor dos olhos, força muscular, etc.) e mais inteligentes, o que apresenta importantes problemas éticos.

Em dezembro de 2015, um grupo internacional de cientistas e especialistas em ética convocados pela Academia Nacional de Ciências americana (NAS) em Washington considerou que seria "irresponsável" utilizar a tecnologia CRISPR para modificar o embrião com fins terapêuticos até que as questões legais, de segurança e de ética não fossem resolvidas.

Mas em março de 2017, a NAS e a Academia de Medicina americana consideraram que os avanços realizados na técnica de edição genética das células humanas de reprodução "abrem possibilidades realistas que merecem sérias considerações".

A premissa de avaliar a eficácia da técnica sobre os embriões humanos também é apoiada na França pela Sociedade de Genética Humana e pela Sociedade de Terapia Celular e Gênica.

O Reino Unido, por outro lado, já validou projetos de pesquisa que utilizam essa técnica.

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AFP