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Aviões da coalizão liderada pelos Estados Unidos atacaram nesta quinta-feira um comboio pró-regime na Síria perto da fronteira com a Jordânia, seis semanas depois dos primeiros bombardeios do governo Trump no país

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Aviões da coalizão liderada pelos Estados Unidos atacaram nesta quinta-feira um comboio pró-regime na Síria perto da fronteira com a Jordânia, seis semanas depois dos primeiros bombardeios do governo Trump no país.

Por outro lado, no centro da Síria, extremistas do grupo Estado Islâmico (EI) lançaram um ataque sangrento que deixou mais de 50 mortos, a metade milicianos pró-regime.

Estes fatos coincidem com as negociações celebradas em Genebra desde a terça-feira, auspiciadas pela ONU, entre representantes do regime e da oposição, que aceitaram formar um comitê de especialistas sobre a Constituição.

"A coalizão bombardeou as forças pró-regime (...) que representavam uma ameaça para as forças americanas e as forças aliadas (sírias) em At-Tanf", perto da fronteira jordaniana, declarou o coronel Ryan Dillon, porta-voz militar da coalizão anti-extremista liderada por Washington.

Outro alto funcionário americano, que pediu para ter o nome preservado, informou à AFP que as forças pró-regime atacadas eram "provavelmente milícias xiitas", sem dar maiores detalhes sobre sua identidade.

O regime de Damasco, por sua vez, não confirmou o bombardeio americano.

O secretário americano da Defesa, Jim Mattis, assegurou que os Estados Unidos não tentavam incrementar seu papel na guerra civil, mas defender suas tropas caso estejam ameaçadas.

Os Estados Unidos e a coalizão não bombardeiam as forças vinculadas ao regime sírio, exceto no caso do ataque contra a base aérea síria de Shayrat, no começo de abril, decidido pelo presidente Donald Trump, após um ataque químico do qual o regime foi responsabilizado.

Ataque do EI

Em outra parte da Síria, no leste da província de Hama, os extremistas do grupo EI bombardearam ao amanhecer duas localidades antes de atacá-las, informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Durante o ataque, 52 pessoas morreram, inclusive, pelo menos 15 civis e 27 combatentes pró-regime, informou o ODSH. O grupo extremista sunita perdeu 15 combatentes.

O ataque teve como alvo duas aldeias no leste da província de Hama; Aqareb, onde a maior parte da população é ismaelita, e Mabujé, onde moram suitas e na maioria jafaritas, ismaelitas e alauitas.

A agência oficial Sana noticiou que o ataque custou a vida de 20 civis em Aqareb, sem mencionar a aldeia de Mabujé. Em troca, informou que a maioria dos civis assassinados em Aqareb foram decapitados e seus membros, amputados.

Mabujé já tinha sido atacada pelo EI em março de 2015. Os extremistas executaram 37 civis e sequestraram outros 50, a metade deles mulheres.

Comitê de especialistas

O regime e os rebeldes do EI compartilham o controle da província de Hama, situada no centro do país, em guerra desde 2011. Mas os extremistas estão perdendo terreno.

As Forças Democráticas Sírias (FDS), uma aliança de combatentes curdos e árabes, apoiada pela coalizão internacional, estão às portas de Raqa, reduto do EI. As forças do regime fecham o cerco aos extremistas nas províncias de Homs, Aleppo e Hama, enquanto os rebeldes avançam pelo sul.

O chefe da Otan, Jens Stoltenberg, afirmou nesta quinta-feira que alguns países-membro da organização consideram necessário enviar um "sinal político" unindo-se formalmente à coalizão anti-EI. No entanto, "se exclui" comprometer-se nas operações de combate.

Em Genebra, a ONU anunciou na quinta-feira que os representantes do governo e da oposição, representada pelo Alto Comitê de Negociações (ACN), tinham acordado formar um comitê de especialistas para tratar de "questões constitucionais".

Os participantes deverão dialogar sobre quatro temas principais: a Constituição, a governança, as eleições e a luta contra o terrorismo.

Mas na quinta-feira, o líder da delegação governamental, Bashar Al Jaafari, diminuiu importância dos diálogos sobre questões constitucionais.

"O trabalho destes especialistas não terá nada a ver com a Constituição (...) Não tomarão decisões", disse à imprensa. No entanto, destacou que seriam realizadas reuniões informais na sexta-feira.

Em seis anos, a guerra causou a morte de 320.000 pessoas na Síria e forçou metade dos moradores a deixar suas casas.

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