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EUA continuará reconhecendo Guaidó como presidente da Venezuela, diz Pompeo

(Arquivo) O secretário de Estado americano, Michael Pompeo afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 07. dezembro 2020 - 15:40
(AFP)

Os Estados Unidos disseram nesta segunda-feira (7) que continuarão reconhecendo a figura da oposição Juan Guaidó como o presidente da Venezuela, apesar das eleições disputadas que concedem ao líder de esquerda Nicolas Maduro o controle total sobre as instituições nacionais.

"Os Estados Unidos continuarão reconhecendo o presidente interino Guaidó e a legítima Assembleia Nacional", disse o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, em comunicado.

"A comunidade internacional não pode permitir que Maduro, que está no poder ilegitimamente porque roubou as eleições de 2018, ganhe roubando uma segunda eleição".

Maduro, no poder desde 2013, recuperou o controle do Parlamento, que o chavismo havia perdido em 2015, em eleições boicoteadas por quase toda a oposição e marcadas por uma alta abstenção de 69% e uma forte rejeição internacional.

Em sua qualidade de chefe parlamentar, Guaidó foi reconhecido como presidente interino da Venezuela pelos Estados Unidos e mais de 50 países em janeiro de 2019, quando Maduro assumiu um segundo mandato até 2025.

Pompeo disse que a votação de domingo "não atingiu nenhum padrão mínimo de credibilidade" e que "felizmente enganou só poucas pessoas".

"Maduro manipulou descaradamente essas eleições a seu favor", disse o secretário de Estado.

"Pedimos a todos os países comprometidos com a democracia que se juntem a nós para condenar a farsa de 6 de dezembro e apoiar a legítima Assembleia Nacional e o presidente interino no futuro", pediu Pompeo.

Pompeo destacou que as eleições legislativas na Venezuela ocorreram enquanto "o regime ilegítimo de Maduro assassina, tortura e prende sistematicamente seus opositores", algo revelado, segundo ele, em relatórios recentes da ONU, da Organização dos Estados Americanos e de outros observadores independentes.

"Nem Maduro nem uma nova Assembleia Nacional aleita fraudulentamente representarão a voz legítima do povo venezuelano, que deve se expressar através de eleições presidenciais livres e justas", destacou.

- "Sanções continuam" -

Os Estados Unidos continuarão "absolutamente" com sua política de pressão diplomática e sanções em busca de eleições transparentes na Venezuela, garantiu Carrie Filipetti, subsecretária adjunta do Departamento de Estado para Cuba e Venezuela.

Em um fórum virtual organizado pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) de Washington, Filipetti disse que as medidas punitivas dos Estados Unidos, que incluem um embargo de fato ao petróleo venezuelano, serviram não apenas para responsabilizar "o regime", mas também "seus aliados".

Filipetti disse que essas medidas foram apoiadas entre governo e oposição durante a administração republicana de Donald Trump, e antecipou que continuará desta forma como o democrata Joe Biden, que assumirá o cargo em 20 de janeiro.

“Vimos declarações bipartidárias de membros do Congresso neste fim de semana sobre essa fraude eleitoral. Isso permanece e eu sei que continuará no futuro”, disse ela.

Guaidó declarou à AFP na semana passada que espera manter o "apoio bipartidário" dos Estados Unidos e que Biden ratifique as sanções aplicadas por Trump.

Maduro, que rompeu relações com Washington após o reconhecimento de Guaidó, afirmou que espera ter canais "decentes" de diálogo com Biden.

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