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O governo dos Estados Unidos planeja deixar de financiar o Fundo de População das Nações Unidas (FPNU) devido às práticas coercitivas de planejamento familiar, que incluem o recurso forçado ao aborto na China

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O governo dos Estados Unidos planeja deixar de financiar o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, em inglês) devido às práticas "coercitivas" de planejamento familiar, que incluem o recurso forçado ao aborto na China, segundo fontes oficiais.

Segundo um comunicado do Departamento de Estado divulgado na segunda-feira à tarde, o presidente Donald Trump instruiu neste sentido o secretário de Estado, Rex Tillerson.

O secretário poderá "tomar todas as ações necessárias (...) para garantir que os contribuintes americanos não financiem organizações ou programas que apoiem ou participem em planos de aborto coercitivo ou esterilização involuntária", indicou a nota.

A decisão foi "baseada no fato de que as políticas de planejamento familiar da China ainda incluem o uso de aborto coercitivo e de esterilização involuntária, e o UNFPA se associa em atividades de planejamento familiar com a agência do governo chinês responsável por estas políticas coercitivas".

Os fundos em questão, que correspondem a 32,5 milhões de dólares no exercício fiscal de 2017, serão atribuídos a outros programas de saúde mundiais.

A decisão dos Estados Unidos de reduzir seu financiamento para o UNFPA se baseia em uma percepção equivocada e poderia ser devastadora para a saúde de mulheres e crianças em todo o mundo, afirmou nesta terça-feira o secretário-geral Antonio Guterres.

Guterres lamentou profundamente a decisão dos Estados Unidos e acredita que terá "efeitos devastadores sobre a saúde das mulheres e das crianças vulneráveis e para suas famílias", disse o porta-voz do secretário-geral, Stéphane Dujarric.

A organização, que fornece serviços de saúde reprodutiva e controle de natalidade em mais de 150 países e territórios, emitiu um comunicado no qual lamentou a decisão de Washington "de negar qualquer futuro financiamento ao trabalho para salvar vidas no mundo".

Também qualificou de "errônea" a afirmação dos Estados Unidos de que o organismo tem um papel nos abortos forçados e nas esterilizações na China.

"O UNFPA nega esta afirmação porque todo o seu trabalho promove os direitos humanos dos indivíduos e dos casais para que tomem suas decisões, livres de coerção ou discriminação", acrescentou.

Há muito tempo "os estados-membros das Nações Unidas descreveram o trabalho do UNFPA na China como benéfico", defendeu o organismo.

A organização deu como exemplo sua obra que salvou "dezenas de milhares de mães" da morte e de sofrer deficiências ao combater "a violência baseada no gênero e ao reduzir a mortalidade das mães nas comunidades mais frágeis do mundo", entre elas Iraque, Nepal, Sudão, Síria, Filipinas, Ucrânia e Iêmen.

Em 2015, o UNFPA recebeu 979 milhões de dólares em fundos, segundo seu site.

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