Após quase dois anos de conflito, Estados Unidos e China, as duas maiores economias do mundo, assinaram nesta quarta-feira (15) uma trégua que gera alívio no mundo.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump - alvo de um julgamento político que pode lhe custar o cargo -, celebrou ontem a assinatura do que chamou de acordo "transcendental".

As tarifas sobre bilhões de dólares em produtos importados da China continuarão, porém, em vigor, deixando a conta a ser paga para os consumidores e empresas americanos.

Chamado de "fase um", o acordo inclui o compromisso da China de elevar substancialmente suas compras de produtos americanos, proteger a tecnologia estrangeira e aplicar novos mecanismos de cumprimento das normas comerciais.

"Hoje damos um passo transcendental que nunca demos antes com a China" e que vai garantir "um comércio limpo e recíproco", disse Trump na cerimônia de assinatura do texto na Casa Branca, acompanhado do vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, principal negociador de Pequim.

"As negociações foram duras", mas levaram a um resultado "incrível", ressaltou Trump.

O presidente dos EUA agradeceu a seu homólogo chinês, Xi Jinping, e disse que visitará a China "em um futuro não muito distante". O porta-voz da diplomacia chinesa, Geng Shuang, não quis, contudo, confirmar a visita.

Enquanto Trump falava longa e ininterruptamente, as principais emissoras de TV interromperam a transmissão ao vivo da cerimônia para exibir a apresentação, no Congresso, das acusações contra ele.

O afrouxamento das tensões entre as duas potências animou os mercados nas últimas semanas.

O mandatário americano afirmou que as tarifas impostas aos produtos chineses vão se manter até que a "fase dois" seja concluída.

"Estou deixando-os ligados, caso contrário não temos cartas para negociar", admitiu.

Ele leu uma carta do presidente Xi Jinping que descreveu o acordo como "bom para a China, os EUA e o mundo inteiro".

- Fase dois terá temas sensíveis

Os assuntos mais delicados ficaram para a segunda fase de negociações. Entre eles, estão os enormes subsídios às empresas estatais.

Poucas horas antes da assinatura, o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, pressionou Pequim a se manter na mesa de negociações e fazer maiores concessões - entre elas, algumas sobre cibersegurança e acesso de empresas americanas à China para que Washington possa aliviar as tarifas.

"Na fase dois, haverá reduções adicionais", declarou Mnuchin à emissora CNBC. "Isso dá à China um grande incentivo para voltar à mesa e aceitar assuntos adicionais que ainda não estão resolvidos".

O vice-presidente americano, Mike Pence, destacou "o começo de um novo capítulo nas relações comerciais entre as duas economias", mas admitiu que "ainda haverá disputas".

Ontem, Wall Street terminou em alta, enquanto as Bolsas chinesas fecharam em direções díspares: Xangai em baixa (-0,52%), e Hong Kong, em alta (+0,38%).

Elementos do acordo que Washington considera como vitórias na verdade levam a relação entre superpotências ao mesmo lugar em que estavam quando Trump chegou à Casa Branca em 2017.

"A primeira fase do acordo entre EUA e China é, essencialmente, uma trégua comercial, com grandes compras dirigidas pelo Estado como novidade", afirmou em análise a economista Mary Lovely do Peterson Institute for International Economics.

Ela alertou, contudo, que "continuaremos vendo o impacto disso nos custos mais elevados das empresas e investimentos mais lentos".

Após anunciar o acordo em 13 de dezembro, os Estados Unidos cancelaram uma nova leva de tarifas que entraria em vigor dois dias depois. Além disso, o governo americano prometeu reduzir à metade a tarifa de 15% a 120 bilhões de dólares sobre produtos chineses imposta em 1º de setembro.

- O que diz o acordo? -

A China concordou em pagar US$ 200 bilhões adicionais em produtos americanos em dois anos, segundo o acordo assinado na Casa Branca por Liu e Trump.

Esse volume inclui US$ 32 bilhões em produtos agrícolas e marinhos, quase US$ 78 bilhões em bens como aeronaves, maquinário e aço e US$ 54 bilhões em produtos do setor de energia.

Os fazendeiros americanos foram duramente atingidos pela guerra tarifária. A exportação de soja para a China, por exemplo, caiu para US$ 3 bilhões, contra mais de US$ 12 bilhões em 2017. O governo deu US$ 28 bilhões em ajudas aos produtores agrícolas nos últimos dois anos.

Muitos economistas se perguntam se existe capacidade de cobrir essa demanda. E Lovely tem dúvidas sobre se pode ser bom depender do mercado chinês.

"Também significa que poderia ocorrer uma represália chinesa, moderando a vontade dos fazendeiros de investir para cumprir os elevados objetivos de exportação do pacto", completou.

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