Neste ano, o Estados Unidos realiza um novo censo e os agentes recenseadores devem enfrentar o medo que as minorias - principalmente os latinos - têm de que as suas informações pessoais possam ser usadas pela imigração americana. Diante disso, uma campanha está sendo veiculada incentivando que todos participem da pesquisa.

Determinante para calcular o orçamento governamental e a distribuição das cadeiras no Congresso americano, o Censo é realizado no Estados Unidos a cada 10 anos. Com a intenção do presidente americano, Donald Trump, de acrescentar à pesquisa uma pergunta sobre cidadania - que acabou não sendo incluída - comunidades com um maior número de habitantes sem documentação ficaram temerosas.

"Estamos em um momento em que há um contexto controverso. Estamos fazendo todos os esforços possíveis para ir às comunidades", disse María Olmedo Malagon, à frente da campanha para promover a pesquisa do Censo, à AFP.

Sendo um governo que mantém uma linha dura contra a imigração irregular, Trump lutou para incluir uma pergunta sobre nacionalidade no Censo. Segundo a consultoria Pew Research Center, os EUA têm mais de 10 milhões de imigrantes em situação irregular.

O debate sobre a questão da nacionalidade integrar ou não o Censo chegou ao Supremo americano, que em junho do último ano se posicionou contra.

Inexistente da pesquisa há 60 anos, essa questão poderia impedir que 1,6 a 6,5 milhões de imigrantes, em sua maioria latinos, participassem da pesquisa ou que mentissem suas respostas por medo.

Kendall Johnson, diretora de comunicação do Censo, disse na última terça-feira (14), durante a apresentação pública da campanha publicitária pró-Censo, que há muitas diferenças entre a pesquisa atual e a realizada há 10 anos. Isso porque há uma mudança do panorama midiático e há uma maior desconfiança do governo.

Essa campanha conta com uma estratégia ampla que inclui milhares de anúncios na televisão, rádio e material impresso, além de ser voltada também para os usuários da internet e adaptada a 12 idiomas.

O Censo está programado para começar no final deste mês, janeiro, com as estimativas provenientes de uma população distante, que vive no Alasca. A partir de 1º de abril começará em todo o país. As pessoas podem responder à pesquisa por telefone, internet e correios. Os lugares que não têm acesso a nenhum desses meios serão visitados pessoalmente pelos agentes recenseadores.

- "Seguem tendo medo" -

Para Olmedo Malagon, o medo da comunidade latina não é algo novo. Foi algo visto no último censo, mas no entanto, aumentou.

A funcionária lembrou que a privacidade do Censo está protegida por lei, e quem romper essa regra pode receber pena de cinco anos de prisão ou US$ 250 mil.

"O Censo está totalmente regido pela Constituição", disse. "As noções de privacidade fazem parte do DNA de qualquer pessoa que trabalhe na pesquisa", acrescentou.

Amy Hinojosa, da organização latina MANA, faz parte das associações locais eleitas pelo Censo para se aproximar das comunidades e ajudar a vencer o medo.

"Havia muito medo e continua existindo, mas nosso trabalho é ajudá-los a entender que a pesquisa é algo bom", contou à AFP.

Para ela, sua organização se aproximou das mulheres. "Quando alguém chega no local onde estão as mulheres latinas, então se chega a onde são tomadas as decisões", disse.

- "Nosso lugar na mesa" -

Carlos Alcazar, sócio diretor da agência de publicidade Cultural One World, que participou da campanha de incentivo ao Censo, contou à AFP que foram criados muitos grupos de discussão para identificar as barreiras existentes.

"Era uma mescla de desconfiança por causa do governo e também de medo sobre a pergunta quanto a nacionalidade", relatou Alcazar à AFP.

Dully Fernández, publicitária da mesma empresa, detalhou que "todas as mensagens (da campanha) ressaltam a confidencialidade".

Na última segunda-feira (13), o senador democrata Bob Menéndez pediu para a população se recusar a ter medo, e explicou que a participação no Censo é fundamental para determinar a distribuição de recursos para as escolas, reparos nas estradas e em problemas gerais das zonas de trânsito, além da saúde pública.

"Sei que algumas famílias imigrantes ainda têm dúvidas sobre participar dessa pesquisa do governo. Mas não podemos permitir que tirem a nossa cadeira da mesa", afirmou Menéndez.

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