Os Estados Unidos aprovaram nesta sexta-feira, em um contexto de forte tensão regional, o envio de milhares de militares à Arábia Saudita para proteger seu principal aliado no Oriente Médio dos atos de "desestabilização" praticados pelo Irã.

O secretário de Defesa, Mark Esper, autorizou o envio de duas baterias de mísseis terra-ar Patriot, de um sistema de mísseis balísticos THAAD, dois esquadrões de soldados e um esquadrão aéreo.

Esper "informou o príncipe herdeiro saudita e o ministro da Defesa, Mohamed bin Salman, esta manhã, do envio de tropas adicionais para garantir e fortalecer a defesa da Arábia Saudita", revelou uma fonte do Pentágono.

"Junto a outras tropas, isto representa 3 mil soldados adicionais mobilizados no último mês" na Arábia Saudita.

Washington havia anunciado, no final de setembro, o envio de 200 militares ao reino, na primeira mobilização deste tipo desde a retirada em massa das tropas americanas, em 2003.

Um petroleiro iraniano foi atingido nesta sexta-feira por dois supostos disparos de mísseis no Mar Vermelho, a cem quilômetros de um porto saudita, o primeiro incidente em que um navio iraniano foi atingido desde uma série de ataques no Golfo.

Após o incidente, o preço do Brent subia 2,3%, para 60,46 dólares, e o do West Texas Intermediate aumentava 2,1%, para 54,69 dólares.

A Companhia Nacional de Petroleiros do Irã (NITC), operadora da frota iraniana, afirmou que o casco do petroleiro Sabiti foi atingido por duas explosões a cerca de 100 km da costa saudita.

As explosões "provavelmente foram causadas por ataques com mísseis", afirmou a NITC.

"Todos os tripulantes passam bem", acrescentou a NITC, ressaltando que as pessoas a bordo tentam reparar os danos.

O ataque foi lançado "a partir de um local próximo ao corredor (marítimo por onde o petroleiro passava) no leste do Mar Vermelho", disse o ministério das Relações Exteriores do Irã.

"Não há incêndio a bordo", afirmou a companhia estatal, negando informações transmitidas pela televisão estatal iraniana de que a embarcação havia pegado fogo.

Segundo a televisão estatal, é possível que o incidente tenha sido causado por "um ataque terrorista". Nas fotografias que exibiu, o convés do navio não parece danificado.

As explosões causaram um vazamento de petróleo no Mar Vermelho, segundo a agência de notícias semi-oficial Isna.

"A responsabilidade por esse incidente e a grave poluição do meio ambiente são dos autores desse ato irresponsável", ressaltou o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Abbas Mousavi, acrescentando que uma investigação está em andamento.

Segundo o site TankerTrackers, que rastreia os movimentos dos petroleiros, o Sabiti transporta um milhão de barris de petróleo e diz que tem "o Golfo" como destino.

O incidente de hoje é o mais recente de uma longa série na região, incluindo os ataques a infraestruturas de petróleo na Arábia Saudita, apreensões de navios no Golfo e a destruição de um drone americano por Teerã.

Em setembro, a Arábia Saudita e os Estados Unidos, depois a Alemanha, o Reino Unido e a França acusaram o Irã de ser responsável pelos ataques aéreos a dois locais estratégicos na produção de petróleo da Arábia Saudita, o que fez subir brevemente os preços do petróleo em 20%.

Teerã negou qualquer envolvimento nos ataques reivindicados pelos rebeldes huthis do Iêmen, apoiados pelo Irã e combatidos por uma coalizão militar liderada por Riad.

- Tensões -

Os ataques de setembro provocaram temores de um confronto militar com o Irã, depois que Washington e Teerã chegaram perto do conflito direto em junho. Na ocasião, o presidente Donald Trump disse que cancelou no último minuto ataques contra alvos iranianos depois que Teerã abateu um drone americano.

O suposto ataque desta sexta-feira também acontece depois da apreensão de várias embarcações pelo Irã nos últimos meses na região do Golfo e a apreensão em julho em Gibraltar (extremo sul da Espanha) de um petroleiro iraniano, liberado em 15 de agosto.

O Irã, que se considera o guardião do Golfo, denuncia a presença de forças estrangeiras na região e ameaçou bloquear o Estreito de Ormuz - ponto de passagem estratégico para o comércio mundial de petróleo - em caso de ação militar americana.

Neste contexto, Washington formou uma coalizão militar marítima para proteger a navegação, acompanhado por Riad e Abu Dhabi.

O Irã, por sua vez, apresentou um projeto regional para garantir a "segurança energética e liberdade de navegação" nas águas do Golfo.

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