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(Arquivo) Embaixada americana em Havana

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O governo dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira (3) a expulsão de 15 diplomatas da embaixada de Cuba em Washington, como consequência dos misteriosos "ataques" acústicos contra seu pessoal em Havana.

Em nota oficial, o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, disse que seu escritório informou Cuba "sobre a ordem de saída de 15 de seus diplomatas em sua embaixada em Washington". Ressaltou, contudo, que as relações diplomáticas serão mantidas.

De acordo com Tillerson, a decisão de expulsar os funcionários do país foi adotada "pelo fracasso de Cuba em adotar medidas para proteger nossos diplomatas de acordo com suas obrigações nos termos da Convenção de Viena".

"Manteremos nossas relações diplomáticas com Cuba e continuaremos cooperando com Cuba, à medida que investigamos esses ataques", afirmou o secretário de Estado.

O ministro cubano das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, qualificou a decisão de "injustificada" e "inaceitável", e afirmou que os Estados Unidos são os "responsáveis pela deterioração presente e provavelmente futura das relações bilaterais" entre os dois países.

Em coletiva de imprensa, Rodríguez instou Washington "a não continuar politizando este assunto, que pode provocar uma escalada indesejada" das tensões e "esfriar" as relações entre ambos os países.

O chanceler cubano protestou "energicamente" contra a expulsão e "o pretexto utilizado para justificá-la, ao afirmar que o governo de Cuba não adotou todas as medidas adequadas para prevenir" os incidentes.

Mais cedo, um funcionário do Departamento de Estado americano, que pediu para não ser identificado, deixou claro que se trata de uma expulsão do país.

"Estamos expulsando esses 15 cubanos hoje. Eles não foram declarados 'persona non grata', mas esperamos que partam em sete dias", disse o diplomata.

- EUA pedem garantias -

De acordo com essa fonte, para restaurar a normalidade no funcionamento das embaixadas, Washington exige "garantias completas do governo cubano de que esses ataques não continuarão".

O governo dos Estados Unidos afirma que pelo menos 22 membros de sua equipe diplomática em Havana foram submetidos a ataques pontuais, aparentemente ultrassônicos.

Entre os sintomas identificados, o Departamento de Estado mencionou de dores de cabeça severas a edemas cerebrais, passando por tonturas e perda parcial da audição e memória.

Embora a origem desses episódios e seus responsáveis sejam desconhecidos, o Departamento de Estado não expressou dúvidas quanto ao caráter desses eventos, classificando-os como "ataques".

"Existe um padrão muito consistente", disse o funcionário.

Na sexta-feira (29), o Departamento de Estado anunciou a decisão de reduzir pela metade seu pessoal na embaixada em Havana, como resultado desses ataques que ainda não foram explicados.

- Tensões aumentam -

Na semana passada, Tillerson recebeu o chanceler cubano, precisamente para discutir a situação criada por esses incidentes.

Nessa reunião, Rodríguez negou que Cuba tenha cometido ataques de qualquer tipo contra o pessoal diplomático estrangeiro e solicitou a cooperação de Washington nas investigações.

Os dois países restabeleceram suas relações diplomáticas em 2015 após meio século de ruptura e desconfiança, mas a chegada de Donald Trump à Casa Branca abriu um ponto de interrogação sobre o futuro dessa aproximação.

Em junho, Trump anunciou um endurecimento das medidas administrativas que seu antecessor, o democrata Barack Obama, adotou por decreto para facilitar as viagens e o comércio com a ilha.

Ao anunciar a redução de seu pessoal em Havana, o Departamento de Estado também informou a suspensão por tempo indeterminado da emissão de vistos para os cubanos.

Com a expulsão dos 15 diplomatas, a embaixada cubana em Washington também pode suspender a emissão dos vistos, o que representaria um enorme revés no já difícil processo de aproximação que começou em 2015.

Nesse sentido, em sua nota oficial, Tillerson observou que a expulsão dos 15 diplomatas cubanos "garantirá a equidade em nossas respectivas operações diplomáticas".

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AFP