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Logo da empresa Bombardier, em Crespin, no dia 17 de outubro de 2016

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Os Estados Unidos anunciaram nesta sexta-feira (6) novos impostos sobre importação de aviões CSeries fabricados pela canadense Bombardier.

Uma semana depois de anunciar direitos de compensação de 220% sobre esses aviões, o Departamento de Comércio americano acrescentou outra medida "preliminar" antidumping com uma taxação de 80%.

As medidas buscam proteger a americana Boeing que alega que a Bombardier se beneficia de subsídios comercialmente desleais que lhe permitiram vender 75 aeronaves CSeries à Delta Airlines a um preço que está abaixo de seu custo.

"Estados Unidos estão comprometidos com um comércio justo, limpo e recíproco com Canadá, mas essa não é nossa ideia sobre como conduzir adequadamente a relação comercial", disse o secretário de Comércio, Wilbur Ross.

Segundo a Boeing, a Bombardier vendeu seus aviões a 19,6 milhões de dólares cada, e esse valor é 13,6 milhões abaixo do custo.

Ela também denunciou que a Bombardier recebeu mais de 3 bilhões de dólares em subsídios de Ottawa e do governo da província francófona de Quebec.

A decisão final sobre a controvérsia é esperada para 19 de dezembro. Se é confirmada, os impostos seriam aplicados quando os aviões começarem a ser entregues à Delta no ano que vem.

Tanto o governo do Canadá, quanto a Bombardier reagiram com revolta. Eles acusam a Boeing de manipular as normas comerciais dos Estados Unidos para evitar um concorrente no estratégico mercado aeronáutico americano.

"Estamos extremadamente aborrecidos e em completo desacordo com a determinação preliminar do Departamento de Comércio dos Estados Unidos", disse a ministra canadense de Relações Exteriores, Chrystia Freeland.

Ela qualificou como "infundados e absurdamente altos" os impostos americanos. A Bombardier disse que são "muito perversos".

"A hipocrisia da Boeing é assombrosa", disse Nathalie Siphengphet, porta-voz da Bombardier. Ela completou que todos os fabricantes de aviões, inclusive a Boeing, oferecem descontos.

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AFP