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Fila para comprar gasolina em San Juan, após a passagem do furacão Maria por Porto Rico

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Criticado pela demora em atender à crise humanitária em Porto Rico, o governo de Donald Trump intensificava nesta sexta-feira (29) seus esforços de socorro nesse território do Caribe arrasado pelo furacão Maria e onde cresce o desespero.

"Essa é uma história de gente que está morrendo", disse nesta sexta-feira a prefeita de San Juan, Carmen Yulin Cruz, sem esconder seu mal-estar, depois que Washington comemorou sua resposta a esse quadro de emergência como uma "história de sucesso".

O presidente Trump defendeu a reação de seu governo ao desastre na ilha, onde seus 3,4 milhões de habitantes ficaram sem luz, água, energia elétrica e telecomunicações, após a passagem de Maria, em 20 de setembro.

Washington suspendeu restrições aos envios de socorro, o que deve acelerar as operações sob o comando do general Jeff Buchanan. Em um discurso, Trump disse que a "maciça mobilização federal" envolve dez mil funcionários e cinco mil soldados.

A ajuda aos desabrigados parece chegar a conta-gotas, porém, devido a problemas de coordenação no terreno.

Os críticos de Trump acusam-no de displicência com Porto Rico, um Estado Livre Associado aos Estados Unidos desde 1952. Nesse pequeno território, a destruição causada por Maria foi comparada à provocada pelo furacão Katrina em Nova Orleans, em 2005. Na época, o governo George W. Bush foi amplamente criticado por sua lenta resposta.

Prédios inteiros com os vidros quebrados, sinais de trânsito sem funcionar e nenhuma folha nas poucas árvores ainda de pé: o panorama é desolador na capital San Juan, onde as pessoas fazem filas intermináveis para conseguir combustível, água, ou comida.

Trump deve visitar a ilha na próxima terça-feira (3).

- 'Irresponsável' -

"Todos sabemos que a ajuda está vindo, em tese, mas não está chegando", disse à AFP Sandra Londoño, que espera conseguir comprar leite para o filho.

Essa dona de casa de 46 anos garantiu que está tentando se manter "tranquila", mas admitiu que há horas em que não aguenta e "desaba" diante da tragédia.

O potente furacão causou enormes danos de infraestrutura, mas muitos veem uma grande diferença na ajuda federal ao Texas e à Flórida. Ambos os estados foram afetados pelos furacões Harvey e Irma, no final de agosto e início de setembro.

Em visita à ilha nesta sexta, a secretária americana interina de Segurança Interna, Elaine Duke, reavivou a polêmica sobre como o governo administrou essa situação de emergência, cujo último balanço chega a 13 mortos.

"É realmente uma história de sucesso em termos da nossa capacidade de chegar às pessoas e do número limitado de mortes, após um furacão tão devastador", afirmou na quinta-feira.

Em Porto Rico, a prefeita da capital se mostrou "incomodada e frustrada" com o que considerou "uma declaração irresponsável" da secretária.

"Quando você bebe água de um buraco, não é uma história de sucesso. Se você não tem comida para um bebê, não é uma história de sucesso", criticou Cruz, em entrevista à CNN.

- 'Melhorar a logística' -

Depois de sancionar vários decretos para tentar organizar o retorno à normalidade, o governador de Porto Rico, Ricardo Rosselló, não escondeu as inúmeras necessidades pendentes.

"Há uma grande quantidade de trabalho" por fazer, disse à CNN.

"Temos de aumentar o ritmo dos envios e melhorar nossa logística", acrescentou.

Apenas 4,5% da rede elétrica funcionava hoje, e metade da população não tem água potável.

Vários hospitais já estão em condições de operar em San Juan, relatou o chefe do operador local de energia elétrica, Ricardo Ramos. Segundo ele, 4.000 eletricistas estão reparando a rede, e mais mil funcionários devem se somar a esse esforço no fim de semana.

Um representante da Agência Federal de Gestão de Emergências (Fema, na sigla em inglês), Daniel Kaniewski, negou o bloqueio de cerca de três mil contêineres de ajuda no porto de San Juan por divergências quanto à sua distribuição - como havia denunciado a prefeitura -, mas admitiu problemas.

"Seria bom ter uma melhora significativa nas operações, com mais pessoal militar e civil no terreno", declarou Kaniewski à CNN.

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AFP