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O promotor falecido Alberto Nisman, em Buenos Aires, no dia 20 de maio de 2009

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Os Estados Unidos e a Argentina investigam por suposta lavagem de dinheiro e suborno Alberto Nisman, o promotor que acusou a presidente Cristina Kirchner de encobrir iranianos pelo ataque ao centro judaico AMIA em 1994, afirmou nesta segunda-feira o juiz que intervém na causa.

Nisman apareceu morto com um tiro na cabeça no último 18 de janeiro, na véspera de se apresentar ao Congresso para ampliar sua denúncia, mas a justiça ainda não determinou se foi suicídio ou homicídio.

Após sua morte veio à tona a existência de uma conta não declarada no banco Merrill Lynch de Nova York, da qual Nisman era dono, afirmou o juiz Rodolfo Canicoba Corral à rádio Del Plata.

O juiz afirmou que nos Estados Unidos "investigam o possível suborno porque era um funcionário público e esta renda não aparecia justificada por sua atividade lícita".

Em abril, Canicoba Corral havia enviado um mandado aos Estados Unidos para tomar conhecimento da movimentação financeira do promotor. Nisman "não tinha divulgado (em Nova York) sua condição de pessoa politicamente exposta", declarou o juiz.

Afirmou que "aparecem uma série de depósitos sem justificação, por quantias muito importantes". O juiz mencionou um de Damián Stefanini, um financista argentino de 45 anos, que desapareceu em 2014 e de que é investigado por um suposto ajuste de contas e atividades ilícitas.

Outro depósito foi realizado por Claudio Picón, cuja empresa era dona do carro de luxo que Nisman usava. Suspeita-se que Picón seja um agente secreto.

"Estamos investigando as pessoas que depositaram. Alguns são argentinos, outros de Israel, e pensamos que isso vai dar rumo importante à investigação", declarou o juiz.

Segundo fontes judiciais citadas pela imprensa, na tal conta de Nisman há cerca de 660.000 dólares sem justificativa. Na conta estão sua Mãe, Sara Garfunkel, e sua irmã, Sandra Nisman, além de Diego Lagomarsino, um assessor informático do ex-promotor.

Lagomarsino é o único acusado pela morte de Nisman, por ser o dono da arma de calibre 22 de onde saiu a bala que o matou. Lagomarsino diz que o promotor a pediu emprestada. Foi a última pessoa que diz ter o visto com vida.

Ha 21 anos, uma bomba explodiu na Associação Mutual Israelense Argentina (AMIA) e deixou 85 mortos e 300 feridos. A Argentina acusa ex-governantes iranianos pelo atentado que se negam a serem interrogados.

A denúncia de Nisman contra Kirchner foi retirada pela justiça por falta de provas. Outro julgamento pelo encobrimento corre em Buenos Aires e o principal acusado é o ex-presidente Carlos Menem (1989-99).

AFP