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(Arquivo) Foto sem data cedida pela Força Aérea americana mostra a bomba GBU-43/B Massive Ordnance Air Blast (MOAB)

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Os Estados Unidos utilizaram nesta quinta-feira no Afeganistão sua bomba não nuclear mais potente, conhecida como "a mãe de todas as bombas" contra um complexo de túneis sob o controle do grupo radical Estado Islâmico, informou uma fonte de alto escalão do Pentágono.

"Estou totalmente orgulhoso de nossos militares. Foi um novo sucesso", disse o presidente Donald Trump à imprensa.

"Lhes dei carta branca.(...) Francamente, é por isso que tem tantos sucessos nos últimos tempos. Se compararem o que aconteceu nas últimas oito semanas com os últimos oito anos, verão que há uma enorme diferença", acrescentou.

A bomba, conhecida pela sigla MOAB, "atingiu um complexo de cavernas" e túneis escavados no distrito de Achin, na província oriental de Nangarhar, disse o porta-voz do Pentágono, Adam Stump.

Foi o primeiro uso deste armamento em combate. O artefato explosivo foi lançado de um avião de grande altitude.

Esse artefato tem formalmente a denominação GBU-43/B, pesa pouco mais de nove toneladas e foi desenvolvido pelo Laboratório de Pesquisas da Força Aérea americana.

Essa é a mais potente bomba não nuclear jamais usada em combate", disse o porta-voz da Força Aérea, o coronel Pat Ryder.

O governador do distrito afegão de Achin, Esmail Shinwari, disse à AFP que a bomba caiu em uma área chamada Momand Dara.

"Essa explosão foi a mais poderosa eu já vi em toda a minha vida. Enormes colunas de fogo tragaram toda a área", disse.

Duras perdas foram infligidas ao inimigo", destacou no Facebook Shahhussain Murtazawi, um porta-voz da presidência afegã.

O capitão da marinha Bill Salvin, porta-voz das forças americanas no Afeganistão, afirmou que "não há nenhuma razão para pensar" que havia civis presentes no momento da explosão.

"O alvo foi escolhido para assegurar o máximo impacto contra o EI evitando vítimas civis", acrescentou, informando que uma avaliação dos efeitos da bomba está em andamento.

No Pentágono, o general John Nicholson, chefe das forças americanas no Afeganistão, disse que a poderosa bomba é "a munição adequada para reduzir os obstáculos e manter o impulso da ofensiva" contra as forças do Estado Islâmico e Khorasan.

"Era necessário tirar seu espaço operacional, e fizemos isso", disse, pouco depois, o porta-voz da Casa Branca, Sean Psicer.

- Expansão no Afeganistão -

De acordo com Hans Kristensen, especialista da Federação de Cientistas americanos especializados na vigilância do arsenal militar do país, essa bomba tem uma potência equivalente a cerca de 1/30 da menor bomba nuclear americana atual, a B61-12.

Até esta quinta-feira, essa bomba havia sido utilizada apenas em testes realizados pela Força Aérea em 2003.

No último fim de semana, um soldado americano morreu em combates na província de Nangarhar, no leste do Afeganistão.

O EI, em intensa atividade na Síria e no Iraque, começou recentemente a se expandir no Afeganistão, onde conseguiu atrair numerosos seguidores dos grupos talibãs na região, assim como islamistas de origem uzbeque.

Militares da Otan estimam que no início de 2016 o EI treinava cerca de 3.000 combatentes no Afeganistão, embora esse número atualmente deva ser menor, entre 600 e 800 homens armados.

Segundo a Força Aérea americana, quando a "mãe de todas as bombas" foi experimentada, em uma base no estado da Flórida, gerou uma coluna de fumaça e pó que podia ser vista a 32 quilômetros de distância.

Os Estados Unidos deslocaram 8.400 soldados para o Afeganistão, que formam, assessoram e apoiam as forças nacionais em seus combates contra os talibãs e o EI.

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