Os Estados Unidos pediram a países como a França nesta quarta-feira (4) que suspendam os impostos sobre gigantes da tecnologia e aguardem um acordo negociado internacionalmente.

Enquanto Washington pretende impor tarifas de até 100% aos produtos franceses no valor de 2,4 bilhões de dólares em retaliação à taxação digital por parte de paris, o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, disse que a chave para resolver o problema é dialogar na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

"Acreditamos que é muito importante que essas negociações levem a um acordo para impedir a proliferação de medidas unilaterais ... ameaçando o antigo consenso multilateral sobre tributação internacional", disse Mnuchin em carta ao secretário-geral da OCDE, José Angel Gurría.

"Pedidos a todos os países que suspendam as iniciativas de impostos sobre serviços digitais para permitir que a OCDE chegue a um acordo multilateral com sucesso", disse Mnuchin em sua carta datada de terça-feira.

O representante comercial dos Estados Unidos, Robert Lighthizer, divulgou na segunda-feira um relatório em que descreveu como discriminatório e concebido para empresas de tecnologia dos Estados Unidos, a taxa imposta pela França sobre a receita recebida por empresas como Google, Apple, Facebook e Amazon.

Lighthizer disse que Washington procederá rapidamente à imposição de tarifas sobre produtos franceses, incluindo champanhe, cosméticos, iogurte e queijo Roquefort.

"A decisão envia um sinal claro de que os Estados Unidos tomarão medidas contra regimes fiscais digitais que discriminam ou, de alguma forma, impõem encargos indevidos às empresas norte-americanas", destacou Lighthizer.

A França tributou em 3% da renda as empresas de tecnologia em seu território, que correspondem principalmente a publicidade na web e outros serviços digitais.

Cedric O, secretário de Estado da França para a Economia Digital, disse à AFP em Washington na terça-feira que ainda há tempo para conjurar a ameaça das tarifas americanas.

"O primeiro e mais importante objetivo que temos é chegar a um acordo na OCDE", afirmou, insistindo que a atual disputa "não é o fim da história".

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