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O secretário de Estado, Rex Tillerson, e o da Defesa, Jim Mattis, receberam o assessor diplomático do governo chinês Yang Jiechi e o chefe do Estado-Maior, general Fang Fengshui

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Os Estados Unidos pediram à China, nesta quarta-feira (21), que mantenha uma postura mais firme em relação à Coreia do Norte, para que Pyongyang suspenda seus testes balísticos e nucleares, ao fim de uma reunião ministerial entre ambos os países.

O secretário de Estado, Rex Tillerson, e o da Defesa, Jim Mattis, receberam o assessor diplomático do governo chinês Yang Jiechi e o chefe do Estado-Maior, general Fang Fengshui. Esse encontro acontece depois da cúpula realizada em abril passado, em Mar-a-Lago, na Flórida, entre o presidente Donald Trump e o presidente chinês, Xi Jinping.

"Reiteramos à China que tem a responsabilidade diplomática de exercer uma pressão econômica e diplomática muito mais importante sobre o regime (norte-coreano), se quiser evitar uma nova escalada na região", declarou Tillerson, em uma breve entrevista coletiva com Mattis, ao fim da reunião.

Tillerson também disse esperar que a China "faça sua parte" para enfrentar as "atividades criminosas", às quais Pyongyang recorre para financiar seus projetos nucleares e balísticos, como "lavagem de dinheiro", "cibercrimes", ou "extorsão".

Apesar da condenação internacional e das sanções, a Coreia do Norte construiu um pequeno arsenal nuclear e está desenvolvendo mísseis balísticos que poderão ameaçar Japão, Coreia do Sul e - algum dia - até os Estados Unidos.

- Ira dos EUA

Washington parece mostrar agora certa frustração com os esforços chineses para pressionar a Coreia do Norte. Já Pequim exibe sua boa-fé.

Ontem, horas antes do início da delicada reunião, Trump publicou um polêmico tuíte, sugerindo que os esforços chineses na Coreia do Norte já haviam fracassado.

"Embora aprecie muito os esforços do presidente Xi & China por ajudar com a Coreia do Norte, não deram resultado. Pelo menos sei que a China tentou!" - tuitou Trump, como de hábito.

Na capital chinesa, funcionários de alto escalão garantem que não perderam a esperança de influenciar a Coreia do Norte, ressaltando que o problema não é apenas da China.

O porta-voz do Ministério chinês das Relações Exteriores, Geng Shuang, disse que "para resolver a situação nuclear na península coreana, a China tem feito esforços e desempenhou um papel importante e um papel construtivo".

Um novo episódio envolvendo Pyongyang irritou os EUA: a morte do americano Otto Warmbier, de 22 anos, libertado pela Coreia do Norte após passar mais de um ano detido na península. Com severos danos cerebrais e em coma, Otto faleceu na segunda-feira (19), nos Estados Unidos.

"Ver um jovem partir com boa saúde e, depois de uma falta menor, voltar quase morto para sua casa (...) supera toda compreensão", disse Mattis na coletiva de imprensa ao lado de Tillerson.

Existe uma "frustração do povo americano em relação a um regime que provoca e provoca e provoca e basicamente joga fora das regras", acrescentou Mattis.

- Liberdade de navegação

Trump fez da contenção da ameaça nuclear representada por Pyongyang sua prioridade em Política Externa e, para isso, busca o apoio de Pequim, deixando de lado preocupações sobre o déficit da balança comercial com os chineses.

Apesar de a China ter endurecido os controles sobre o comércio de carvão da Coreia do Norte, vários especialistas dizem que Pequim não está preparado para realmente fazer cumprir as sanções internacionais, as quais podem pôr em risco a estabilidade de seu vizinho imprevisível.

A tensão no mar do sul da China, onde Pequim multiplica suas demonstrações de força, também é alvo de preocupação para Washington e para seus aliados da região.

"Continuaremos apoiando a liberdade de navegação e de voo" perto das ilhotas reivindicadas pela China, advertiu Tillerson.

Estados Unidos e China continuarão tendo um "diálogo" para encontrar "algum tipo de método" que permita reduzir suas divergências, completou Mattis.

AFP