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(Maio) Soldados americanos no local da explosão de uma bomba em Cabul

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O chefe do Pentágono, Jim Mattis, alertou nesta terça-feira (13) ante legisladores que os talibãs estão avançando no Afeganistão, acrescentando que os Estados Unidos "não estão vencendo" a batalha neste país.

Os "talibãs tiveram um bom ano no ano passado e estão tendo um bom ano este ano", declarou Mattis ao Comitê das Forças Armadas do Senado.

"Neste momento, acredito que o inimigo está avançando", advertiu.

"Não estamos vencendo no Afeganistão. Vamos corrigir isso o mais rapidamente possível", assegurou Mattis aos legisladores.

A avaliação de Mattis é feita quase 16 anos depois da invasão do Afeganistão liderada pelos Estados Unidos e em meio a uma guerra que continua matando tropas americanas, além de milhares de membros das forças locais e civis.

Os comandantes militares dos Estados Unidos vêm pressionando por uma nova estratégia que pode enviar milhares de soldados adicionais no Afeganistão para ajudar a treinar e para assessorar seus sócios afegãos.

Segundo a imprensa americana, Mattis está considerando pedir entre 3.000 e 5.000 soldados a mais dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). No Congresso, porém, o secretário foi lacônico sobre números.

Em fevereiro, o chefe das forças americanas e da Otan no Afeganistão, general John Nicholson, advertiu que precisa de "algumas milhares" de tropas a mais para reverter o que chamou de "estancamento". O governo de Donald Trump ainda tem de se pronunciar sobre esse pedido de reforço.

Apesar da expectativa de que um anúncio sobre uma nova estratégia no Afeganistão é iminente, Mattis disse que isso não deve acontecer antes de meados de julho.

O presidente do Comitê de Serviços Armados do Senado, o republicano John McCain, manifestou sua "palpável" frustração.

"Vamos completar seis meses agora dessa administração e ainda não temos uma estratégia para o Afeganistão", disse McCain, alegando que é difícil conseguir um pedido de orçamento para este caso sem saber qual é o plano.

"Sabemos qual foi a estratégia dos últimos oito anos: não perder. Isso não funcionou", acrescentou.

Mattis reconheceu a dura realidade no terreno.

"Não estamos ganhando no Afeganistão nesse exato momento. Vamos corrigir isso o mais rápido possível", prometeu aos congressistas.

O secretário da Defesa, que era comandante de combate da Marinha no Afeganistão no início da guerra, enfatizou que os Estados Unidos não devem se afastar desse país e sugeriu que uma força americana residual deve permanecer para ajudar o Exército afegão a manter uma linha de segurança.

Mattis considerou que esse efetivo poderá ajudar as forças afegãs a ganharem vantagem, se tiver autorização para se aproximar mais dos combates. Por enquanto, o papel dos militares dos Estados Unidos é, essencialmente, de assessores.

Na visão do secretário, os americanos poderiam ser autorizados a dar mais apoio aéreo e a aumentar seu "apoio de fogo" às forças afegãs.

Os talibãs estão na ofensiva no Afeganistão e assumiram a autoria de uma série de ataques sangrentos, sobretudo, contra bases e posições afegãs. Reivindicaram o ataque cometido no último sábado (10), o qual deixou três soldados americanos mortos, e um ferido, em Nangarhar, no leste do país.

Hoje, no Afeganistão, encontram-se estacionados cerca de 8.400 soldados americanos, além de pelo menos 5.000 militares dos aliados da Otan, atuando principalmente nas áreas de capacitação e assessoria.

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