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(19 jun) O presidente do México, Enrique Peña Nieto (e), gesticula junto ao secretário-geral da OEA, Luis Almagro, na abertura da Assembleia Geral em Cancún

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O subsecretário de Estado americano John J. Sullivan reivindicou que a Organização dos Estados Americanos (OEA) dê um passo "modesto" para adotar uma resolução sobre a crise na Venezuela.

Diante isso, foi advertido por Caracas que nem mesmo uma invasão militar poderá impor uma resolução da OEA ao país.

Sullivan defendeu uma iniciativa promovida pelo México e que busca criar um "grupo de contato" para acompanhar um diálogo na Venezuela, onde os protestos contra o governo Nicolás Maduro se arrastam desde 1º de abril. Até agora, o número de mortos chega a 74.

"É o mínimo que podemos fazer (...) diante de algo que se pode descrever apenas como uma crise humanitária", disse Sullivan, na 47ª Assembleia Geral da OEA.

A ministra venezuelana das Relações Exteriores, Delcy Rodríguez, que interveio algumas vezes para rebater alusões diretas à crise política em seu país, reiterou que Caracas desconhecerá qualquer resolução da OEA.

"Seu grupo de contato que você está apresentando me parece completamente inútil, desnecessário (...). A única forma que poderia impor isso seria com seus marines, que teriam na Venezuela uma resposta contundente, se se atreverem a dar esse passo em falso", declarou a ministra.

O americano resumiu a resposta da chanceler em três palavras: "Distrações, distorções e irrelevâncias".

- 'Cachorrinhos simpáticos ao império'

Hoje, a chanceler Delcy também se voltou contra os países críticos de Caracas, chamando-os de "classe de cachorrinhos simpáticos ao império", depois de o chanceler peruano ter pedido na Assembleia Geral que se resolva a crise no país sul-americano.

No início dos trabalhos da Assembleia, o ministro peruano das Relações Exteriores, Ricardo Luna, foi o primeiro a se referir à espinhosa questão da Venezuela.

Luna pediu ao governo de Nicolás Maduro que recue em sua convocação de uma Assembleia Constituinte, porque, com isso, estaria "criando um poder paralelo aos estabelecidos" pela Constituição bolivariana. Também reivindicou a libertação de presos políticos, que se ponha fim à repressão das manifestações, que se estabeleça um calendário eleitoral e que atenda à crise humanitária no país.

"Exijo respeito do Peru (...). Se eles fazem parte da classe de cachorrinhos simpáticos ao império, a Venezuela, não", respondeu a chanceler venezuelana.

Outras nações, como Canadá, Chile, Argentina, Guatemala, Costa Rica, Colômbia e Honduras aderiram ao coro a favor da resolução.

"Esse tipo de posição alimenta essa oposição violenta que se nega a participar de um processo democrático. Para que estão chamando, para a guerra? Exijo respeito dos submissos", questionou a ministra.

Depois, houve nova guerra de palavras, desta vez com o chanceler da Costa Rica, Manuel González, que disse que a OEA não pode "permanecer silenciosa diante de um governo que suspende eleições a seu bel-prazer e age com total impunidade".

A chanceler venezuelana rebateu, acusando González de ser um "analfabeto político que não conhece nada sobre a Venezuela" e que, com sua posição, "convoca que se mantenham os protestos violentos nas ruas".

Em sua intervenção, a chanceler equatoriana, María Espinosa, lamentou que não se tenha conseguido aprovar uma resolução que acompanhe "as iniciativas de diálogo promovidas pela Unasul e pela Celac", foros dos quais a Venezuela participa ativamente e onde conta com aliados - entre eles o Equador.

Luis Ezequiel Alvarado, líder da delegação da Nicarágua, aliado político de Caracas, saiu em apoio de Rodríguez.

A OEA "não pode continuar sendo usada por um grupo de países para afetar a soberania, os interesses da Venezuela".

- Nova votação? -

A crise política na Venezuela dominou as reuniões da OEA realizadas no balneário mexicano de Cancún. Ontem, fracassou uma tentativa dos chanceleres de aprovar uma resolução sobre a crise.

Os ministros não conseguiram reunir os 23 votos necessários nessa sessão entre as 34 delegações, mas ainda não se descarta que possam levar o texto para a Assembleia Geral. Lá as votações são por maioria simples de 18 votos.

Ontem, foram 20 votos a favor, cinco contra e oito abstenções.

O projeto pede ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que reconsidere a convocação de uma Assembleia Constituinte, garanta o respeito aos direitos humanos e dialogue com a oposição.

O chanceler mexicano, Luis Videgaray, anfitrião do encontro em Cancún, não descartou essa possibilidade.

"O processo continua. A Assembleia Geral da OEA continua e é possível que esse tema (Venezuela) possa ser abordado novamente nos próximos dois dias", disse Videgaray à Rádio Fórmula antes do início dos trabalhos.

"Ainda está sob a consideração da Assembleia sob a liderança do México e esperamos que seja apresentada para votá-la de novo e passar", disse o subsecretário de Estado em entrevista coletiva.

A sessão plenária de chanceleres e de chefes de delegação continuava à tarde e, amanhã, acontece uma nova sessão. Uma vez esgotados os temas a discutir, será possível saber quais resoluções serão submetidas à votação.

AFP