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Grande manifestação em Pyongyang em apoio à política norte-coreana contra os Estados Unidos, em 9 de agosto

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Os Estados Unidos disseram nesta sexta-feira estar prontos para atacar a Coreia do Norte, que os acusou de serem o "cérebro" de uma "guerra nuclear", em meio à crescente inquietação internacional e apesar do pedido de calma por parte da China.

Atiçando a beligerante retórica dos últimos dias com o regime norte-coreano por sua corrida armamentista, o presidente americano, Donald Trump, advertiu o líder Kim Jong-Un que se ele decidir atacar a ilha de Guam, irá se arrepender.

"Se fizer algo com relação a Guam ou qualquer outro lugar que seja um território americano ou um aliado americano, vai se arrepender de verdade, e vai se arrepender rápido", disse o presidente.

Mais cedo, Trump postou no Twitter que "as soluções militares estão prontas para ser usadas caso a Coreia do Norte atue de forma imprudente".

Consultado sobre este tuíte, assegurou que os Estados Unidos avaliam "muito cuidadosamente" essa opção e se disse confiante em que Kim compreenda a "gravidade" de suas afirmações.

Na noite desta sexta-feira, Trump anunciou que conversará por telefone com o líder chinês, Xi Jinping, para discutir a crescente tensão em torno da Coreia do Norte. "Estamos trabalhando bem de perto com a China e outros países".

O presidente americano também comunicou que concederá uma "grande entrevista coletiva", na próxima segunda-feira, mas não detalhou seu conteúdo.

Pyongyang, que em julho realizou com sucesso dois testes de mísseis balísticos intercontinentais (ICBM) que poderiam atingir o território americano, ameaçou nesta semana atacar Guam, uma remota ilha no Pacífico onde os Estados Unidos têm bases militares estratégicas.

"Trump está levando a situação na península coreana quase a uma guerra nuclear", assinalou Pyongyang por meio da agência oficial KCNA.

"Os Estados Unidos são, de fato, o cérebro da ameaça nuclear, o atroz fanático da guerra nuclear", pontuou.

- China pede moderação -

Sem tomar partido, a China pediu nesta sexta-feira que os países "demonstrem prudência" ao invés de recorrer a "demonstrações de força". Pequim é o principal aliado de Pyongyang, mas recentemente votou na ONU um endurecimento das sanções econômicas impostas ao regime de Kim Jong-Un por continuar com seu programa balístico e nuclear.

"A China pode fazer muito mais", disse Trump.

Pequim propôs em várias ocasiões uma solução para sair da crise: que a Coreia do Norte pare com os seus testes nucleares e balísticos, e que os Estados Unidos e a Coreia do Sul acabem com os exercícios militares conjuntos.

A tensão geopolítica, que atinge as principais bolsas mundiais, preocupa outras potências.

A chanceler alemã, Angela Merkel, se opôs a qualquer "solução militar" na Coreia do Norte, enquanto Moscou advertiu sobre uma piora da situação. "Os riscos são muito altos", disso o ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov.

"Está claro que é hora de todas as partes se concentrarem nas formas de reduzir as tensões", disse Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres.

- Kim "não é suicida" -

Trump, de férias em seu clube de golfe em Nova Jersey, parece distante de querer apaziguar os ânimos. Primeiro prometeu "fogo e fúria" contra a Coreia do Norte, depois se gabou do poderio nuclear americano e na quinta-feira disse que a sua declaração "pode não ter sido suficientemente dura".

Entretanto, o secretário da Defesa, Jim Mattis, advertiu que uma guerra com a Coreia do Norte seria "catastrófica" e afirmou que os esforços diplomáticos estão rendendo frutos. "Eu quero permanecer assim", indicou.

Questionado sobre uma possível opção militar, o porta-voz do Pentágono, o coronel Rob Manning, disse nesta sexta-feira à AFP: "manteremos um alto estado de preparação para lidar com a ameaça norte-coreana junto com os nossos aliados e sócios na região".

Washington tem "planos militares" para qualquer crise que possa surgir no mundo, esclareceu um funcionário da Casa Branca. "Estes planos se atualizam de forma contínua conforme o necessário e são dadas opções ao presidente. Isso não é nada novo", disse sob anonimato.

Para vários analistas, a probabilidade de um conflito é baixa. "Kim Jong-Un não é suicida", opinou Ralph Cossa, presidente do Pacific Forum CSIS em Honolulu, citado pelo jornal Washington Post.

- "Dar uma de macho" -

É possível um diálogo a esta altura? Bill Richardson, ex-embaixador americano na ONU e que passou anos sufocando a crise com a Coreia do Norte, acredita que está perto de chegar a um ponto de não poder nem sequer tentar.

"Os dois líderes parecem querer 'dar uma de macho' [...] e isso não ajuda em nada porque impede que os diplomatas tentem encontrar uma saída diplomática", disse em entrevista à AFP, na qual advertiu sobre o risco crescente de que um incidente menor desencadeie a guerra.

"A minha única esperança é que os chineses estejam trabalhando discretamente sobre esse assunto com os norte-coreanos", afirmou.

No entanto, na Coreia do Sul, que conta com 28.500 soldados americanos para defender o país contra o seu vizinho do norte, multiplicam-se os chamados para que a capital desenvolva o seu próprio arsenal nuclear depois da ameça de Pyongyang de transformar Seul em um "mar de chamas".

As tensões na península coreana tendem a se agravar dias antes dos exercícios militares conjuntos entre Seul e Washington, previstos para 21 de agosto.

AFP