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A Embaixada dos Estados Unidos em Havana, onde ao menos 16 funcionários americanos sofreram um ataque acústico

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O governo dos Estados Unidos anunciou nesta sexta-feira sua decisão de retirar mais da metade do pessoal de sua embaixada em Havana, em razão de "ataques específicos", elevando a tensão com Cuba.

Em um comunicado oficial, o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, garantiu que o governo dos Estados Unidos vai manter as relações com Cuba, mas espera que os caso seja investigado em profundidade.

De acordo com denúncias, no último ano, 21 diplomatas americanos sofreram sintomas que variaram de dores de cabeça a edemas cerebrais devido a "ataques específicos" aparentemente com dispositivos acústicos ou ultrassônicos, que permanecem misteriosos.

Segundo Tillerson, somente o pessoal indispensável permanecerá na embaixada "até que o governo de Cuba possa garantir a segurança de nossos diplomatas".

Em consequência, a embaixada na capital cubana suspendeu a emissão de vistos para os Estados Unidos "por tempo indeterminado", embora o departamento de Estado elabore mecanismos para que os cubanos possam solicitar os documentos em outros países.

Enquanto isso, a encarregada da chancelaria cubana para as relações com os Estados Unidos, Josefina Vidal, disse à imprensa em seu país que a decisão de Washington era "precipitada" e descartou qualquer possibilidade de seu governo no episódio.

- "Não viagem para Cuba" -

Além disso, o Departamento de Estado emitiu um alerta de viagens, recomendando os cidadãos americanos que evitem viajar a Cuba, ante o risco de ataques.

O alerta indica que Washington e Havana não foram capazes até o momento de identificar os responsáveis pelos "ataques específicos", mas aponta que "o governo de Cuba é responsável por adotar as medidas apropriadas para evitar incidentes semelhantes".

Até essa sexta-feira, o governo americano referia-se a esses casos como "incidentes", embora tenham passado a se referir a "ataques" específicos contra o pessoal da embaixada, sem responsabilizar por ora o governo cubano.

"Mantemos nossas relações com Cuba e nosso trabalho com Cuba continua sendo guiado pela segurança nacional e pelos interesses de política externa dos Estados Unidos", indicou o chefe da diplomacia americana em nota oficial.

Tillerson afirmou que Cuba "nos disse que cooperará para investigar estes ataques e continuaremos cooperando com estes esforços".

Segundo o Departamento de Estado, os "ataques" ocorreram em residências diplomáticas e hotéis frequentados por cidadãos americanos na capital cubana.

"Não temos informes sobre cidadãos privados americanos que tenham sido afetados pelos ataques", destacou Tillerson.

Segundo acrescentou, o Departamento de Estado "não tem uma resposta definitiva sobre a causa ou a fonte dos ataques e é incapaz de recomendar medidas para mitigar a exposição".

- Novo pico de tensões -

As medidas drásticas são adotadas três dias após uma reunião em Washington entre Rex Tillerson e o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, para discutir precisamente os estranhos incidentes.

Nesta reunião - como já tinha dito há uma semana na Assembleia Geral da ONU - Rodríguez negou que Cuba tenha realizado alguma vez ataques de qualquer natureza contra pessoal diplomático estrangeiro.

No começo do mês, o Departamento de Estado já tinha expulsado discretamente dois funcionários da embaixada de Cuba em Washington, a partir deste mesmo episódio.

Este é o momento de maior tensão entre os dois países desde o restabelecimento das relações diplomáticas em 2015 depois de meio século de ruptura e desconfiança mútua.

Em junho passado, Trump anunciou um endurecimento das medidas administrativas que seu antecessor, Barack Obama, tinha adotado por decreto para facilitar as viagens e o comércio com a ilha.

Em declarações à imprensa, Vidal disse nesta sexta-feira que o gesto americano "vai afetar as relações bilaterais, em particular a cooperação sobre temas de interesse mútuo".

Vidal reiterou que "a vontade de Cuba é continuar uma cooperação ativa entre as autoridades dos dois países para o esclarecimento total destes fatos", e que "para isso sera essencial ter e contar com a participação e o envolvimento efetivo das autoridades americanas".

Por enquanto desconhece-se a forma ou o instrumento usado nestes "ataques", embora o Departamento de Estado afirme que estes provocaram nos afetados surdez temporária, fadiga, problemas de concentração, dificuldade para dormir e enjoos.

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AFP