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A presidente do CNE, Tibisay Lucena

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Os Estados Unidos elevaram o tom de voz nesta quarta-feira e adotaram sanções econômicas contra 13 funcionários da Venezuela por "minar a democracia", em meio aos violentos confrontos entre manifestantes e policiais, no primeiro dia da greve geral contra o presidente Nicolás Maduro.

Rafael Vergara, de 30 anos, morreu "durante uma manifestação" em Ejida, no estado de Mérida, informou o Ministério Público, sem detalhar a causa da morte e o possível responsável. O número de mortos em quatro meses de protestos em todo o país chega a 104, de acordo com o MP.

Foram registrados distúrbios nesta quarta em Caracas e em outras cidades do país, como Maracay, Maracaibo e San Cristóbal, onde policiais e militares tentaram dispersar os manifestantes com bombas de gás lacrimogêneo.

Manifestantes fizeram barricadas de lixo e escombros em ruas e avenidas de várias zonas de Caracas, com confrontos sobretudo no leste da cidade.

A coalização opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) também convocou uma grande marcha em Caracas para sexta-feira e um boicote contra a votação de domingo, quando serão eleitos os 545 constituintes.

O governo Maduro descarta a possibilidade de suspender as eleições, que ele afirma serem "o único caminho para a paz" em meio à grave crise política e econômica.

- Washington pressiona -

Em meio à escalada, Washington adotou, nesta quarta-feira, seu terceiro pacote de sanções contra funcionários do governo Maduro, congelando seus ativos nos Estados Unidos e proibindo cidadãos americanos de manter relações comerciais com os punidos.

O ministro da Educação, Elías Jaua; a presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Tibisay Lucena; o defensor público, Tarek William Saab; e Iris Varela, integrante da comissão preparatória da Constituinte, foram punidos por se mobilizar "ativamente" a favor da Constituinte e "minar a democracia e os direitos humanos" na Venezuela.

Outros cinco chefes militares e policiais foram sancionados por sua relação com atos de repressão e violência: Néstor Reverol (ministro do Interior e Justiça), Carlos Pérez Ampueda (diretor da Polícia Nacional Bolivariana, PNB), Sergio Rivero (comandante-geral da PNB), Jesús Suárez (comandante da PNB) e Franklin García (ex-diretor da PNB).

Em fevereiro, os EUA sancionaram o vice-presidente e um auxiliar, e em maio congelaram os bens de oito juízes do Tribunal Supremo de Justiça.

Um funcionário da Casa Branca afirmou que o governo de Trump não descarta anunciar novas sanções depois das eleições da Constituinte no domingo. "Todas as opções estão na mesa".

Trump enviou a Caracas uma ameaça inequívoca: "se o governo de Maduro impuser a sua Assembleia Constituinte em 30 de julho, os Estados Unidos tomarão fortes e rápidas ações econômicas".

Ao reagir ao novo pacote de sanções, Maduro qualificou de "ilegal, insolente e insólita a pretensão de um país de sancionar outro país".

"O que pensam os imperialistas dos Estados Unidos? Que são o governo mundial?! (...) Não aceitamos!" - declarou o presidente.

O governante socialista condecorou os sancionados, entregando-os réplicas da espada do herói Simón Bolívar, em um ato de campanha pela Assembleia Constituinte.

"Os filhos de Bolívar não se rendem", exclamou Maduro, enquanto os presentes entoavam frases "anti-imperialistas".

São "formas de pressão para ver se quebram o Estado venezuelano [...] e posso dizer que as sanções [...] representam uma vitória do Estado venezuelano, que está firme, de pé, unido, se fortalecendo, rumo à Constituinte", afirmou Maduro.

"Garantimos em 30 de julho a voz a todos os venezuelanos e venezuelanas. Se me sancionarem por isso, bem-vindas essa e todas as sanções que possam surgir", expressou Tibisay Lucena ao ser condecorada.

"Graças a Deus esses imbecis pensaram em me sancionar. É o melhor reconhecimento ao meu espírito antirrevolucionário", expressou a ex-ministra Iris Varela, enquanto recebia sua espada.

AFP