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O presidente americano, Barack Obama, analisa com epsecialistas a gravidade da bactéria ultraresistente durante reunião na Casa Branca, em Washington, DC, no dia 27 de maio de 2016

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Autoridades sanitárias americanas vão redobrar esforços para impedir o aparecimento de agentes microbianos resistentes a todos os antibióticos, após a descoberta recente de uma paciente infectada com uma bactéria mutante insensível a um antimicrobiano de último recurso.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos(CDC) anunciaram a criação de uma rede de laboratórios dedicada a detectar e tratar a resistência microbiana em amostras humanas.

Os CDC vão, ainda, utilizar novos recursos para apoiar os serviços de saúde, como parte dos seus esforços para deter os surtos de infecções resistentes a antibióticos e impedir a propagação desses agentes patogênicos.

O medo de um cenário nefasto aumentou com o caso, nesta semana, de uma mulher de 49 anos que contraiu uma variedade da bactéria Escherichia coli, mais conhecida pela abreviatura E. coli, que lhe causou uma infecção urinária persistente.

A bactéria contraída é portadora do gene MCR-1, que a torna resistente à colistina, um antibiótico de 1959 utilizado como último recurso nos casos de polirresistência.

A E. coli reagiu, porém, a um tratamento com carbapenema, outro antibiótico de amplo espectro, e a paciente está curada.

Os CDC afirmaram que estão trabalhando com o Ministério da Defesa - cujos virologistas detectaram a bactéria - e com as autoridades sanitárias do estado da Pensilvânia, onde a paciente esteve internada, para "identificar as pessoas que estiveram com ela, de modo a evitar contágios".

É a primeira vez que o gene MRC-1 é encontrado em uma bactéria infectando um humano nos Estados Unidos. Antes, o gene já tinha sido detectado em aves e porcos na Europa e na China.

O gene mutante MCR-1, que se encontra sobre um pequeno fragmento do DNA microbiano, tem a capacidade de passar de uma bactéria a outra, propagando potencialmente a resistência aos antibióticos em diversas espécies bacterianas.

Um mundo pré-antibióticos

De acordo com as autoridades sanitárias, se as Enterobacteriaceae resistentes ao carbapenema adquirirem esse gene, não haveria mais antibióticos disponíveis para detê-las.

"Estamos muito perto de ver emergir Enterobacteriaceae que serão impossíveis de tratar com antibióticos", alertou o médico Lance Prince, da Universidade George Washington, citado pelo jornal The New York Times.

Para Tom Frieden, diretor dos CDC, "corremos o risco de voltar a um mundo pré-antibióticos".

Os CDC e os institutos nacionais de saúde começaram a estudar esse gene em bactérias na América do Norte a partir do seu aparecimento na China em 2015.

A detecção pela primeira vez do MCR-1 nos Estados Unidos "é um sinal prévio da emergência de uma bactéria resistente a todos os antibióticos", escreveram os autores desta descoberta.

Com uma taxa de mortalidade que pode chegar a 50%, as Enterobacteriaceae resistentes ao carbapenema são consideradas pelos CDC como uma das maiores ameaças à saúde pública.

Mas os cientistas do Ministério da Defesa afirmaram em um blog que o gene MRC-1 é raro. Disseram, ainda, que os pesquisadores das agências federais analisaram 44.000 bactérias salmonela e 9.000 bactérias E.Coli em amostras humanas e em carnes de supermercados sem encontrar vestígios.

Segundo Frieden, é imprescindível "fazer grandes esforços para proteger a eficácia dos antibióticos para a nossa geração e a dos nossos filhos", assim como desenvolver novas classes de antibióticos.

Segundo um estudo recente publicado pela sociedade americana de medicina, até 30% dos antibióticos orais prescritos em consultas médicas nos Estados Unidos são inapropriados ou desnecessários.

Esse mal uso dos antibióticos é considerado a causa principal do desenvolvimento da resistência microbiana, que afeta a dois milhões de pessoas nos Estados Unidos e provoca 23.000 mortes por ano, segundo os CDC.

AFP