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A comissária europeia de Justiça Vera Jourova em Bruxelas, no dia 10 de janeiro de 2017

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A Eurocâmara debateu nesta quarta-feira a situação na Venezuela entre chamados para continuar a mediação e a adoção de um posicionamento mais firme, em um contexto de tensão no país após as polêmicas decisões do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ).

"É um debate muito oportuno, porque o diálogo entre o governo e a oposição está paralisado e o país precisa de uma solução pacífica e democrática", disse a comissária europeia de Justiça, Vera Jourova, para os parlamentares europeus reunidos em Estrasburgo.

Para a representante do Executivo comunitário, "a polarização política e o enfrentamento aumentaram mais, a situação econômica é preocupante [...] e a insegurança é cada vez pior".

"Se queremos garantir a ordem democrática, a Venezuela precisa de um calendário eleitoral", acrescentou Jourova, que pediu respeito ao papel constitucional da Assembleia Nacional e à imunidade de seus deputados.

Já os conservadores do Partido Popular Europeu (PPE) pediram à UE "um posicionamento mais firme" compatível com "as formas diplomáticas", nas palavras do eurodeputado Luis de Grandes.

"É hora de exigir ao regime de [Nicolás] Maduro a liberação imediata de todos os presos políticos, o estabelecimento de um canal para preservar a assistência humanitária e o retorno à ordem constitucional com o pleno respeito da Assembleia Nacional", acrescentou.

Embora o grupo social-democrata também considere que "a democracia está em perigo na Venezuela", destacou sua aposta pela mediação, já que "também está em perigo a paz cidadã", indicou seu parlamentar Ramón Jáuregui, para quem "há dois poderes de origem legítima em confronto".

"Somente um acordo político, democrático e apoiado pela comunidade internacional entre estes dois poderes solucionará o futuro da Venezuela", acrescentou o também presidente da delegação da Eurocâmara para a América Latina.

Após o debate desta quarta-feira, a Eurocâmara, que já havia pedido a Caracas em junho de 2016 que libertasse os presos políticos e respeitasse a Constituição, prevê votar uma nova resolução na sessão plenária prevista para os dias 26 e 27 de abril, em Bruxelas.

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