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Pessoa segura bandeira da Catalunha com o símbolo de luto durante minuto de silência em Barcelona, em 18 de agosto de 2017

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Ataques como os de Barcelona e Cambrils, que deixaram pelo menos 14 mortos e mais de 100 feridos, são fáceis de organizar, quase impossíveis de impedir e com uma relação custo-benefício extraordinária para os extremistas - afirmam especialistas e autoridades ouvidos pela AFP.

Frente a essa estratégia terrorista, que tem toda Europa como alvo, é necessário se preparar para uma confrontação de longo prazo e apostar na resiliência das sociedades democráticas, acrescentam.

No momento em que todas as capitais e grandes cidades turísticas do continente investem em dispositivos fixos para conter veículos que possam ser usados como armas, após os ataques dessa natureza cometidos em Nice, Berlim, Londres e Estocolmo, nada mais fácil do que contorná-los.

"É o princípio dos alvos fáceis", explica à AFP Frédéric Gallois, ex-diretor do Grupo de Intervenção da Gendarmeria Nacional, o GIGN.

"Qualquer aglomeração de civis é um. E concentrações de multidão. Há milhares", acrescenta.

"Os terroristas vão, na medida do possível, visar a alvos fáceis, que tenham o máximo de conotação simbólica, como a Champs Élysées, as Ramblas. Mas, se esses lugares forem objeto de proteção, como começou a ser o caso, eles sempre vão encontrar uma rua adjacente para atacar (...) Em Roma, se você não puder se aproximar da Praça São Pedro, mas se você tiver matado dez pessoas em uma rua próxima, você terá atacado Roma e o Vaticano. A carga simbólica será a mesma", alega.

Vistos como um "terrorismo de baixo custo", esses ataques têm sido teorizados e privilegiados há tempos pelas redes "jihadistas". Primeiramente, pela Al-Qaeda, que começou a evocá-los em sua propaganda nos anos 2004/2005 e, depois, pelo grupo Estado Islâmico (EI) - em especial na voz de seu porta-voz Abu Mohammed al-Adnani, antes de sua morte em 2016.

- 'Sejam regulares' -

Com o objetivo de esgotar o inimigo pouco a pouco na impossibilidade de atacá-lo frontalmente, essa estratégia dos "mil cortes" coloca a ação terrorista ao alcance de todos: agentes adormecidos, ou infiltrados, que se tornaram aguerridos na Síria, ou no Iraque; simpatizantes que se radicalizaram; ou mesmo pessoas com problemas mentais que possam ser, eventualmente, estimuladas à ação por um clima dessa natureza.

"O Estado Islâmico disse a essas pessoas: 'usem o que vocês tiverem à mão, um carro, uma faca, uma pedra'. Isso multiplica sua capacidade de agir. Nenhum treinamento é necessário, alvos de proximidade e de oportunidade, e pronto. De um ponto de vista terrorista, a relação custo-benefício é imbatível", avalia Gallois.

"Eles não buscam mais a intensidade da ação, com meios espetaculares, mas a frequência, para tentar estabilizar a força visada. É essa regularidade que faz mal. As instruções são as seguintes: 'inscrevam-se no tempo e sejam regulares'. Hoje, são de quatro a seis semanas entre cada atentado na Europa. Ao fim desse período de tempo, todos nós nos dizemos: vai acontecer alguma coisa", acrescenta.

Para o pesquisador Jean-Pierre Filiu, professor na Sciences Po Paris, o EI obedece a sua própria lógica e tem objetivos de longo prazo.

"É uma questão de oportunidade em seu planejamento terrorista", disse ele ao France Inter nesta sexta.

"Eles querem mostrar que continuam sendo muito eficazes, apesar dos recuos no terreno. Mas não é por causa dos recuos no Iraque e na Síria que eles atacam", apontou.

Diante dessa ameaça, impossível de impedir completamente em um futuro próximo e até passível de aumentar com o retorno de centenas de extremistas da Síria e do Iraque, o papel das autoridades deve ser preparar as democracias europeias para resistir.

"É preciso evitar a demagogia", convocou, em recente declaração à AFP, a senadora francesa Nathalie Goulet, copresidente da comissão de investigação sobre a luta contra as "redes jihadistas".

"Nem toda a Inteligência do mundo impedirá esse tipo de ataque", segundo ela.

"É preciso enfrentar a realidade. É uma mentira fazer as pessoas acreditarem que vamos resolver o problema banindo os muçulmanos, ou fechando as mesquitas. Pelo contrário, isso alimentaria o argumento do Estado Islâmico", advertiu.

"Um indivíduo que pega seu carro, atropela pessoas… É necessário, infelizmente, que a gente aprenda a viver com isso e que cada cidadão seja vigilante", completou a senadora.

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AFP