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Policiais colombianos cercam o local de explosão no centro financeiro de Bogotá, no dia 2 de julho de 2015

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O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, afirmou nesta sexta-feira que até agora as investigações apontam para o Exército da Libertação Nacional (ELN), segunda guerrilha ativa no país, como responsável pelas duas explosões que deixaram 10 feridos leves na véspera, em Bogotá.

"Tudo indica que os responsáveis são do ELN, as evidências até agora apontam nesta direção", afirmou o presidente ao lado de ministros, do procurador e chefes das forças armadas e policiais do país, ao concluir um conselho de segurança na Casa de Nariño, sede da Presidência.

"São fatos que visam gerar medo, terror, atos de terrorismo. As hipóteses de porque são feitos são: pressionar a mesa de negociações com os grupos à margem da lei, o aniversário do ELN e pode ser também pressionar para acabar com as negociações", afirmou Santos.

O chefe de Estado também lembrou que no último ano foram lançados em Bogotá sete atentados similares aos ocorridos na quinta-feira, dos quais seis foram atribuídos pelas autoridades ao Exército de Libertação Nacional (ELN, guevarista).

Segunda guerrilha do país depois das Farc (comunistas), o ELN mantém desde o começo de 2014 diálogos preliminares de paz com o governo de Santos sem que por enquanto tenha chegado a um acordo para instalar uma mesa de negociação paralela à existente desde novembro de 2012 em Havana com as Farc.

Inicialmente, o presidente apontou "a guerrilha" como suposta responsável pelas explosões, sem dar o nome de um grupo rebelde.

Até agora, no entanto, o ELN, que tem 2.500 combatentes contra os cerca de 8.000 das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), não revindicou a autoria dos ataques da tarde de quinta-feira, quando foram registradas duas explosões na capital colombiana, primeiro no centro financeiro e 40 minutos depois em uma zona industrial.

As detonações deixaram 10 feridos, nenhum gravemente, e danos materiais.

Os atentados ocorreram em sedes do fundo de pensões Porvenir, de propriedade do conglomerado de entidades financeiras do milionário colombiano Luis Carlos Sarmiento, e forçaram a antecipação da volta de Santos do Peru, onde participava da X Cúpula da Aliança do Pacífico.

Nesta sexta, o presidente anunciou que estão sendo reforçadas as medidas de segurança na capital para evitar atentados similares.

O governo ofereceu uma recompensa de 38.000 dólares por informações que levem à captura dos autores, enquanto continuam as investigações, que incluem a análises de vídeos de segurança e retratos falados dos suspeitos.

Em Bogotá, cidade com oito milhões de habitantes, era possível constatar um aumento da presença de forças de segurança. Em todas as vias de acesso à capital viam-se homens da Polícia Militar, enquanto nas principais avenidas, blitzes da polícia foram montadas, constatou um fotógrafo da AFP.

A prefeitura informou que 24 postos de controle foram instalados na cidade e 2.000 militares mobilizados no entorno de Bogotá, assim como mais de 500 policiais.

No entanto, pelas redes sociais ou em unidades de transporte público, a suposta presença de pacotes suspeitos em diferentes locais da cidade gerou alarme.

A Colômbia vive há mais de 50 anos um conflito armado envolvendo guerrilhas, paramilitares, agentes do Estado e narcotraficantes.

As explosões de bombas foram uma das mais dramáticas manifestações do conflito interno, que deixou pelo menos 220.000 mortos e mais de seis milhões de deslocados, segundo cifras oficiais.

AFP