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O presidente chinês passa as tropas em revista em Hong Kong

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Em seu segundo dia de visita a Hong Kong, o presidente chinês, Xi Jinping, assistiu nesta sexta-feira (30) a um desfile militar, o mais importante já organizado na ex-colônia britânica desde que o território foi devolvido a Pequim, há 20 anos.

Essa demonstração de força aconteceu horas depois da libertação de vários militantes pró-democracia que haviam sido detidos na quarta-feira (28). Os ativistas protestavam contra o aumento da influência chinesa em sua cidade.

Xi Jinping chegou ontem (29) a Hong Kong, em meio a um forte esquema da segurança, para participar dos atos comemorativos do 20º aniversário de retrocessão da cidade. Hoje, o que se tem é uma localidade muito dividida, em que uma parte da população está convencida de que Pequim já não respeita a política de "Um país, dois sistemas".

Vestido com traje Mao preto, o presidente chinês presenciou, nesta sexta de manhã, a bordo de um jipe, um grande desfile militar em uma base aérea do norte de Hong Kong.

Enquanto o veículo avançava lentamente à frente das fileiras de militares do Exército, da Força Aérea e da Marinha chinesas, Xi Jinping dizia "Bom dia, camaradas!" às tropas, que respondiam em uníssono: "Bom dia, presidente!".

Veículos lança-mísseis, helicópteros de combate e carros blindados fizeram parte dessa solene revista.

Ao fundo, um gigantesco cartaz dizia: "'Um país, dois sistemas', uma grande política que se aplica totalmente".

Encarregado da defesa de Hong Kong, o Exército Popular de Libertação (EPL) conta apenas com militares da China continental.

Não eram poucos os cidadãos de Hong Kong que, ainda com a lembrança da repressão do movimento de Tiananmen, temiam a chegada do Exército chinês a sua cidade em 1997. Desde então, porém, o EPL se mantém discreto.

- Wong e Law, soltos

Um enorme dispositivo de segurança que incluía milhares de policiais foi mobilizado para manter a população local a distância.

O líder estudantil Joshua Wong e o jovem deputado Nathan Law, dois dos rostos do movimento pró-democracia de Hong Kong, estavam entre os 26 ativistas presos na quarta à noite por "perturbação da ordem pública". Eles participavam de uma concentração perto dos hotéis onde a delegação de Xi está hospedada.

Eles foram libertados na madrugada desta sexta, depois de ameaçarem recorrer ao Tribunal Superior de Justiça contra sua detenção.

Segundo um policial, eles não foram indiciados, mas soltos sob fiança com uma citação judicial para setembro.

A imprensa local noticiou a detenção de três pessoas por pichações contra o governo chinês, entre elas "Hong Kong cai há 20 anos".

Em sua página no Facebook, o Hong Kong Indigenous, um movimento que defende a independência do território, escreveu que um de seus membros foi detido junto com dois familiares pelas pichações.

O desafio para Pequim é evitar tudo que possa ofuscar o bom andamento dessa primeira visita de Xi como presidente, alguns meses antes de um congresso do Partido Comunista Chinês.

AFP