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Pessoas deixam suas casas para fugir de combates entre tropas ucraninas e rebeldes pró-Rússia, próximo ao local do acidente do avião da Malaysia Airlines, em Donetsk.

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O Exército ucraniano entrou nesta segunda-feira em várias cidades controladas pelos separatistas pró-russos perto do local onde foi derrubado um avião da Malaysia Airlines, desencadeando combates que impediram o acesso de especialistas australianos e holandeses ao local da queda.

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, declarou que a derrubada do voo MH17, que causou a morte de 298 pessoas, poderia ser considerada "um crime de guerra".

"É crucial que haja uma investigação meticulosa, efetiva, independente e imparcial" sobre esse fato, acrescentou Pillay, citada em um comunicado divulgado nesta segunda-feira.

Mais de três meses depois do início da "operação antiterrorista" iniciada por Kiev no leste da Ucrânia, que, segundo a ONU, deixou mais de 1.100 mortos, o Exército ucraniano ganha terreno.

Mas a intensificação dos combates impede o acesso de especialistas estrangeiros ao local da queda, sob controle dos insurgentes, e onde ainda estão restos da aeronave e partes de corpos das vítimas, onze dias depois de o avião ter sido derrubado.

Especialistas holandeses já estiveram no local onde caiu o Boeing malaio em várias ocasiões, mas as pessoas encarregadas de investigar as causas do acidente não conseguiram chegar à região por motivos de segurança.

Os soldados ucranianos penetraram nas cidades de Shakhtarsk e Torez, a leste de Donetsk, e reconquistaram a colina de Savur Moguila, indicou o Exército em um comunicado. Combates continuavam sendo travados em Snizhne, acrescentou a nota.

Savur Moguila é "um ponto estratégico na fronteira das regiões de Donetsk, Lugansk e Rostov, na Rússia, a partir de onde os terroristas disparavam contra os soldados ucranianos", indicou a Presidência ucraniana em um comunicado.

"Os ucranianos ocuparam parte do local onde caiu (o avião)", reconheceu Vladimir Antiufeev, número dois do governo separatista da autoproclamada República Popular de Donetsk.

O chefe militar dos rebeldes, Igor Strelkov, mencionou a presença de mais de 200 blindados ucranianos e indicou "30 mortos e feridos" do lado separatista. "Nossos combatentes estão atacando", afirmou.

A ministra australiana das Relações Exteriores, Julie Bishop, e seu colega holandês, Frans Timmermans, estavam nesta segunda em Kiev para conversar com as autoridades sobre a possibilidade de ampliar a missão de segurança na zona da tragédia e permitir que os policiais estrangeiros portem armas. A mobilização de uma missão desse tipo precisaria da aprovação do Parlamento.

O avião malaio derrubado em 17 de julho no leste da Ucrânia sofreu uma "descompressão" devido a uma "forte explosão", afirmou nesta segunda o Conselho Nacional de Segurança e Defesa ucraniano, referindo-se às conclusões do comitê encarregado de investigar a tragédia.

Mais pressão sobre a Rússia

No âmbito diplomático, François Hollande, Barack Obama, Angela Merkel, David Cameron e Matteo Renzi confirmaram nesta segunda-feira "sua intenção de adotar novas medidas" contra a Rússia, devido à evolução da crise na Ucrânia, informou a Presidência francesa em um comunicado.

Os líderes francês, americano, alemão, britânico e italiano se reuniram no início da tarde.

"Eles decidiram ressaltar a importância de sanções coordenadas contra a Rússia em razão da manutenção do envio de armas, de equipamentos e combatentes para o leste da Ucrânia, incluindo depois da queda" do avião da Malaysia Airlines, indicou a Casa Branca em seu comunicado.

Downing Street indicou também que "as últimas informações provenientes da região sugerem que, mesmo depois de o MH17 ter sido abatido, a Rússia continua a enviar armas através da fronteira e a fornecer apoio prático aos separatistas".

"Os líderes concordaram que a comunidade internacional deve impor à Rússia custos adicionais e, em particular, sobre a necessidade de a União Europeia chegar a um acordo sobre uma rodada de sanções fortes e setoriais o mais rápido possível", ressaltou o comunicado britânico.

Berlim considera que "os dirigentes estavam de acordo sobre o fato de que as sanções devem servir para exercer pressão sobre a Rússia, sem desestabilizar mais a Ucrânia, e permitir uma solução diplomática para a crise."

"Apesar dos inúmeros apelos dirigidos ao presidente Putin, eles lamentaram que a Rússia não tenha chegado a pressionar os separatistas a fim de levá-los à mesa de negociações, nem tomado medidas concretas para garantir o controle da fronteira russo-ucraniana", indica, por sua vez, o comunicado da Presidência francesa, manifestando a intenção dos cinco líderes "em adotar novas medidas contra a Rússia".

Os governantes dos cinco países "pediram que os dirigentes russos adotem uma abordagem realmente cooperativa na gestão da crise ucraniana", ressaltando sua "disponibilidade em manter contatos com Moscou", de acordo com a Presidência da França.

Eles também pediram "acesso livre ao local da queda do MH17 para recuperar os corpos das vítimas ainda no local e para permitir uma investigação sem entraves", segundo Downing Street.

AFP