Navigation

Ex-funcionário peruano confessa que era laranja de Alan García

Julio Rodríguez, advogado de Miguel Atala Herrera, e de seu filho Samir Atala Nemi, fala com a imprensa na saída da sede do MPF, em 24 de abril de 2019 em Curitiba afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 30. abril 2019 - 16:25
(AFP)

Um ex-funcionário do governo peruano confessou que serviu de laranja para receber propina para o falecido ex-presidente Alan García, no caso da construtora Odebrecht, informou nesta terça-feira um procurador.

O procurador José Domingo Pérez informou que Miguel Atala Herrera, ex-vice-presidente da estatal PetroPeru, "confessou ter recebido dinheiro da Odebrecht para entregar ao ex-presidente García", que cometeu suicídio há 13 dias.

"O senhor Miguel Atala Herrera está colaborando com a procuradoria, assim como o acusado José Nava Mendiola", filho do ex-secretário da Presidência no segundo mandato de García (2006-2011), informou Pérez, membro da equipe que investiga o escândalo da Odebrecht no país.

"É uma informação extremamente grave, que desconcerta a todos e que necessita uma amplíssima e detalhada explicação por parte do senhor Atala", reagiu Luis Gonzales Posada, ex-chanceler do primeiro mandato de García (1985-1990).

A procuradoria retirou os pedidos de prisão preventiva por três anos para Atala e seu filho Samir Atala Nemi por sua colaboração, e também de Nava Mendiola.

O pai de José Nava Mendiola, Luis Nava Guibert, permanece na qualidade de detido numa clínica da capital Lima por problemas cardíacos e continua negando ter recebido dinheiro da Odebrecht.

"Com estas declarações será confirmado (quem foi) o destinatário das propinas", disse à AFP o analista Luis Benavente, diretor da consultora Vox Populi.

"Era difícil crer que tanto Atala como Nava, não sendo parte envolvida nas licitações, recebiam dinheiro da Odebrecht, se não pela proximidade com García. Agora muitos vão falar", acrescentou.

- "As rotas do dinheiro" –

Na semana passada, o ex-diretor da Odebrecht no Peru, Jorge Barata, depôs em Curitiba para procuradores peruanos, entregando as "rotas do dinheiro" que a construtora distribuiu no Peru entre figuras de poder, desde presidentes até prefeitos, para poder obter licitações de obras públicas.

Este depoimento, fruto de um acordo de colaboração entre a Odebrecht e a procuradoria peruana, compromete quatro ex-presidentes peruanos, entre eles Alan García, que cometeu suicídio com um tiro na cabeça quando estava para ser detido por este caso, no dia 17 de abril.

O procurador Pérez solicitou a prisão domiciliar para Atala por 36 meses, ao invés da prisão preventiva, e pediu proteção policial para ele e sua família.

Atala "teme por sua família e por sua vida, pois assegura ter recebido ameaças", afirmou o procurador.

Após as declarações do procurador, o juiz Juan Carlos Sánchez Balbuena ordenou a liberação do filho de Atala e a retirada do pedido de captura para o filho do ex-secretário Nava, que está em Miami, no Estados Unidos.

O ex-funcionário da PetroPeru confessou que sua conta no Banco Privado d'Andorra servia para receber o dinheiro para Alan García, segundo o portal de investigação IDL, que apresenta relatórios da justiça.

Atala revelou que entregou dinheiro para García de 2010 a 2018. "A primeira vez um valor aproximado de 20 mil a 30 mil dólares, e assim de forma progressiva levava dinheiro ao ex-presidente", disse.

"Cada vez que (García) necessitava de dinheiro me chamava por telefone previamente e mandava a diversos lugares. Eu entreguei para ele dinheiro em diversas vezes e locais, como no Palácio de Governo, e na sua residência”, disse Atala.

- Toledo, Humala e Kuczynski -

García sempre negou ter recebido subornos da Odebrecht. Numa carta divulgada após sua morte, garantiu que "não houve e nem haverá contas, nem subornos, nem riqueza. A história tem mais valor que qualquer riqueza material".

Os depoimentos de Barata atingem também os ex-presidentes Alejandro Toledo (2001-2006), que teria recebido 31 milhões de dólares em subornos; Ollanta Humala (2011-2016), e Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018), que está em prisão domiciliar.

Este artigo foi automaticamente importado do nosso antigo site para o novo. Se há problemas com sua visualização, pedimos desculpas pelo inconveniente. Por favor, relate o problema ao seguinte endereço: community-feedback@swissinfo.ch

Partilhar este artigo

Participe da discussão

Com uma conta SWI, você pode contribuir com comentários em nosso site.

Faça o login ou registre-se aqui.