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O ex-ministro Shahid Khaqan Abbasi, em Islamabad

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O ex-ministro e empresário Shahid Khaqan Abbasi foi nomeado nesta terça-feira primeiro-ministro do Paquistão, durante uma votação no Parlamento, em substituição a Nawaz Sharif, destituído na sexta-feira pela Corte Suprema.

Abbasi, que era o grande favorito, obteve o apoio de Sharif e de seu partido, a Liga Muçulmana do Paquistão-N (PML-N), majoritário no Parlamento, com 221 votos a favor, muitos mais que os 172 necessários.

"Agradeço a todos que participaram neste processo democrático", declarou Abbasi. "Aqueles que votaram a favor, aqueles que foram contra. É o processo democrático. Também agradeço ao PML-N por ter me nomeado ao cargo. E, sobretudo, sou reconhecedor a Nawas Sharif", ressaltou.

O partido de oposição Pakistan Tehreek-e-Insaf (PTI), dividido, apresentou três candidatos diferentes, todos sem chances de vencer.

Abbasi, que ocupava desde 2013 o posto de ministro do Petróleo e Recursos Naturais no governo de Sharif, também foi presidente da companhia aérea pública Pakistan International Airlines (PIA) e criou em 2003 uma companhia privada, Air Blue.

Sua passagem passage pelo governo poderá ser breve, uma vez que Nawaz Sharif já expressou sua intenção de confiar sua sucessão política ao seu irmão Shahbaz Sharif.

Mas este último, que ocupa atualmente o cargo de governador da província de Pendjab, deve ainda ser eleito no Parlamento Federal se quiser se tornar primeiro-ministro.

A Corte Suprema do Paquistão desabilitou Sharif por um caso de corrupção revelado no ano passado pelos chamados "Panama Papers" - decisão esta que o obrigou a renunciar ao cargo.

A Corte pediu ao Bureau Nacional Anticorrupção que abra uma nova investigação sobre as acusações contra Sharif derivadas do escândalo dos "Panama Papers" e que vinculavam a família do primeiro-ministro a empresas em paraísos fiscais.

Sharif não completou nenhum de seus três mandatos como chefe de governo. Em 1993, teve de renunciar, também por acusações de corrupção. Iniciado em 1997, seu segundo mandato se viu interrompido em 1999, após um golpe de Estado militar. Sharif ficou vários anos exilado na Arábia Saudita.

Nenhum premiê paquistanês chegou a completar um mandato de cinco anos. A maioria teve sua gestão interrompida pelo poder militar, ou pela Corte Suprema. Outros foram expulsos por seu próprio partido, forçados a renunciar, ou assassinados.

Esta é a segunda vez na história do Paquistão que um primeiro-ministro é destituído por intervenção do Supremo estando no cargo.

A primeira vez remonta a 2012, quando o tribunal condenou o então premiê, Raza Gilani, por obstrução da Justiça ao se negar a reabrir uma investigação por corrupção contra o presidente na época, Asif Zardari.

AFP