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(Arquivo) Ehud Olmert, no dia 29 de dezembro de 2015

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O ex-primeiro-ministro israelense Ehud Olmert foi solto neste domingo (2), após ser beneficiado com uma redução de pena, um ano e quatro meses depois de ser preso por escândalos de corrupção que mancharam sua imagem política.

Premiê de 2006 a 2009, Olmert, de 71 anos, foi o primeiro ex-chefe de governo a ser preso no país, condenado a 27 meses de detenção.

Olmert saiu pelos fundos da Penitenciária de Maasiyahu, situada perto de Tel Aviv, e parecia cansado. Entrou rapidamente em um carro e partiu. Segundo a imprensa local, agentes do serviço de proteção das personalidades oficiais levaram-no para sua residência em Tel Aviv, onde era esperado por familiares e amigos.

Os escândalos financeiros colocaram atrás das grades esse ex-advogado empresarial, que levantava, com frequência, dúvidas por sua forma de exercer o poder. Amante dos charutos, da boa comida e de confortáveis viagens de avião, seu hedonismo acabou mandando a conta.

O ex-premiê foi condenado a 18 meses de prisão por receber propina relacionada a um grande projeto imobiliário em Jerusalém, "Holyland", quando era prefeito dessa cidade (1993-2003); a oito meses, por fraude e corrupção; e a um mês, por obstrução da Justiça.

A soltura de Olmert carrega uma série de condições. O ex-primeiro-ministro deverá fazer duas visitas de controle mensais à Polícia e está proibido de deixar o território, detalham os jornais locais.

Para eliminar essas restrições, deverá apresentar um pedido ao presidente Reuven Rivlin. A ministra da Justiça, Ayelet Shaked, declarou à rádio militar que é favorável a essa anistia.

- Ascensão e queda

Antes de suas desventuras com a Justiça, o mundo parecia sorrir para Ehud Olmert. Durante muito tempo, ele foi uma figura de protagonismo da direita nacionalista, no Likud, partido com o qual rompeu em 2005 para formar o Kadima - uma legenda de centro direita com posturas mais moderadas.

Em março de 2006, ganhou as eleições com um programa que previa o desmantelamento de dezenas de colônias e a retirada do Exército israelense de boa parte da Cisjordânia.

O plano não foi adiante, em função da guerra travada contra a organização xiita Hezbollah. Hoje, os israelenses ainda atribuem a ele os erros daquela guerra.

A queda de Olmert começou no verão de 2008, quando, enfraquecido por acusações de corrupção, viu-se obrigado a renunciar como primeiro-ministro. Ele continuou no cargo até março de 2009, porém, quando Benjamin Netanyahu, o líder do Likud, então assumiu o poder.

Olmert foi o último chefe de governo a participar de negociações com os palestinos para alcançar um acordo de paz. Nenhuma delas teve sucesso.

A decisão de libertá-lo chega alguns dias depois de Olmert ter sido hospitalizado, em 20 de junho passado, por dores no peito. Os exames médicos mostraram que ele estava em bom estado de saúde.

- Novas investigações

Apesar de sua libertação antecipada, Olmert ainda pode enfrentar outras investigações penais, por uma nova polêmica.

Em meados de junho, por determinação do Ministério Público, a Polícia fez uma batida nos escritórios de sua editora para apreender os manuscritos das memórias que ele estava escrevendo. Os documentos foram apreendidos na Yediot Books, que pertence ao jornal "Yediot Aharonot", considerado crítico ao premiê Netanyahu.

O Ministério da Justiça indicou que alguns trechos das memórias podem conter informações sigilosas, "suscetíveis de atentar gravemente contra a Segurança do Estado".

De acordo com o jornal "Yediot Aharonot", na batida policial também foi apreendido o manuscrito de um livro que o jornalista Ben Caspit - crítico ferrenho de Netanyahu - está preparando sobre o ex-ministro da Defesa Moshé Yalon, um adversário político do premiê israelense.

A investigação está em curso e o Ministério Público deve anunciar, em breve, se Olmert será investigado nesse caso.

AFP