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O premiê Javier Velásquez Quesquen (E) no dia de seu juramento ao cargo no Palácio do governo, em 11 de julho de 2009, em Lima

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O ex-primeiro-ministro peruano Javier Velásquez descartou ter sido a ligação no suposto pagamento de propina de empresas brasileiras Odebrecht e Camargo Correa na construção de uma rodovia no Peru, após admitir ter recebido em seu escritório o ex-ministro - hoje preso - José Dirceu, chefe da Casa Civil do governo Lula.

"A promotoria peruana que disponha e veja se receber uma pessoa em audiência pública parece cumplicidade ou estar vinculado a uma organização mafiosa", disse Velásquez à emissora peruana Canal N, sobre a reunião que teve em novembro de 2009 com Dirceu na sede da presidência do Conselho de Ministros, durante o segundo governo do ex-presidente peruano Alan García (2006-2011).

Dirceu, que chefiou a Casa Civil no primeiro mandato do ex-presidente Lula (2003-2006), está preso em Curitiba, no âmbito das investigações da operação Lava-jato sobre o esquema de corrupção na Petrobras, no qual empresas brasileiras pagaram suborno para fechar contratos com a petroleira.

Segundo as investigações, este dinheiro chegou a políticos e, inclusive, ao Partido dos Trabalhadores, do qual fazem parte Lula e sua sucessora e afilhada política, Dilma Rousseff. Dirceu já tinha sido preso pelo pagamento de propina a parlamentares em troca de votos em outro escândalo, que ficou conhecido como 'Mensalão'.

Velásquez, hoje congressista do partido de oposição peruano Aprista, negou envolvimento nas supostas operações praticadas pelas empresas brasileiras envolvidas no escândalo que atinge a Petrobras, hoje acusadas de pagar propina durante a execução de uma mega-obra no Peru.

A promotoria informou que enviará ao Brasil uma equipe para colher informações a fim de determinar se a corrupção atinge o Peru na construção da rodovia Interoceânica, da qual participaram as empreiteiras Odebrecht e Camargo Correa, investigadas no âmbito da Lava-Jato.

"A justiça - acrescentou Velásquez - tem que investigar fatos concretos. Tudo o que falei com Dirceu foi através de uma conversa pública protocolar", como é possível ver no vídeo publicado pela revista Veja em sua página na internet e que veículos de comunicação peruanos publicaram nesta quarta-feira.

O ex-premiê assegurou, ainda, nunca ter falado com Zaida Sisson, uma brasileira casada com um ex-ministro do presidente Alan García, que acompanhava Dirceu durante a reunião celebrada em novembro de 2009 e que também é investigada no Brasil.

Segundo denúncias divulgadas em junho pela imprensa, informes policiais no Brasil asseguram que Odebrecht e Camargo Correa pagaram propinas no Peru durante a construção da via Interoceânica. O custo da obra chegou a 2 bilhões de dólares, quando o orçamento inicial era de 800 milhões de dólares.

Os fatos teriam ocorrido durante os governos dos presidentes peruano Alejandro Toledo (2001-2006) e Alan García (2006-2011).

AFP