O ex-presidente peruano Alan García morreu nesta quarta-feira em consequência de um ferimento a bala na cabeça depois que ele tentou se matar em sua casa, pouco antes de ser detido pela polícia em um caso vinculado ao escândalo Odebrecht.

"Alan García morreu, viva o Apra", afirmou Omar Quesada, secretário-geral do partido de Garcia.

García havia sido levado para o hospital em caráter de urgência por um ferimento a bala na cabeça depois que ele tentou se matar em sua casa, pouco antes de ser detido pela polícia.

"Esta manhã aconteceu este acidente lamentável: o presidente tomou a decisão de atirar", afirmou o advogado de defesa Erasmo Reyna na entrada do Hospital de Emergências Casimiro Ulloa, em Lima.

A ministra da Saúde peruana, Zulema Tomás, informou posteriormente que o estado de saúde do ex-presidente era delicado e de prognóstico reservado.

Garcia sofreu três paradas cardíacas, acrescentou.

García, ex-presidente do Peru entre 1985-90 e 2006-2011, foi detido em sua casa no distrito residencial de Lima, em Miraflores, por volta das 06h30 local.

A polícia apresentou um mandado de prisão preventiva de até 10 dias pela acusação de lavagem de dinheiro e recebimento de propinas em um caso ligado ao escândalo Odebrecht investigado pela Operação Lava Jato.

- Caso García -

Antes da emissão do mandado de prisão, García havia declarado na terça-feira que não ficaria isolado ou escondido, em alusão tácita ao asilo frustrado que pedira ao Uruguai em dezembro.

Na ocasião, a Justiça determinou que ele estaria impedido de sair do país por 18 meses.

A ordem de prisão contra García emitida nesta quinta-feira é de 10 dias e buscava, segundo o Ministério Público, coletar novos elementos na investigação diante de um eventual risco de fuga.

O ex-presidente permaneceu durante 16 dias na embaixada uruguaia, onde pediu asilo "ante a iminência de um mandado de prisão".

O pedido foi rejeitado pelo governo do Uruguai depois de analisar a documentação apresentada por Lima e pelo requerente.

Nas últimas semanas, García reiterou que "não há declaração, prova ou depósito que me ligue a qualquer ato criminoso, muito menos à empresa Odebrecht ou à realização de qualquer de suas obras".

García também está sob a lupa por supostas propinas pagas pela Odebrecht para obter um contrato de construção para o metrô de Lima durante seu segundo mandato.

No ano passado, ele afirmou ser "perseguido politicamente", mas sua versão foi rejeitada pela Justiça e pelo governo peruano.

O ex-presidente peruano era alvo de uma investigação preliminar da acusação, mas ainda não era réu.

Segundo a promotoria, o então presidente García e 21 outras autoridades conspiraram para ajudar a empresa holandesa Terminal Multibancom, que venceu a licitação em 2011 para a concessão do Terminal Norte do porto de Callao, vizinho a Lima.

Ainda no escândalo da Odebrecht no Peru, os ex-presidentes Alejandro Toledo (2001-2006), Ollanta Humala (2011-2016) e Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018) também estão sendo investigados, e este último se encontra sob prisão preventiva até o dia 20 de abril, bem como a líder da oposição Keiko Fujimori, igualmente em prisão preventiva.

Palavras-chave

Neuer Inhalt

Horizontal Line


subscription form

formulário para solicitar a newsletter

Assine a newsletter da swissinfo.ch e receba diretamente os nossos melhores artigos.