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Ex-presidente Kuczynski é preso no Peru por caso Odebrecht

Ex-presidente do Peru Pedro Pablo Kuczynski, acena ao deixar o palácio de governo em Lima, no dia 21 de março de 2018 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 10. abril 2019 - 17:21
(AFP)

A polícia peruana deteve nesta quarta-feira (10) por 10 dias o ex-presidente Pedro Pablo Kuczynski, acatando uma ordem judicial emitida no contexto de uma investigação na qual ele é suspeito de lavagem de dinheiro no escândalo de corrupção envolvendo a Odebrecht.

Após passar por avaliação médica, Kuczynski foi detido na Prefeitura de Lima, após sua detenção ter sido ordenada, mais cedo, pelo Judiciário.

"O Terceiro Juiz de Instrução Preliminar ordenou a detenção preventiva de 10 dias contra o ex-Presidente Pedro Pablo Kuczynski, no âmbito da investigação que está sendo conduzida pelo alegado crime de lavagem de dinheiro no caso da Odebrecht", indica em um comunicou o Poder Judiciário.

A ordem veio do Superior Tribunal de Justiça Especializado em Delitos de Crime Organizado, que aceitou um pedido do promotor especial da Operação Lavo Jato/Odebrecht, José Domingo Pérez, que investiga o ex-presidente.

O juiz também autorizou a Procuradoria a revistar a casa de Kuczynski por 48 horas, em busca de documentos relacionados ao caso.

É a segunda vez em um ano que buscas são feitas na residência do ex-presidente.

Depois de demonstrar incredulidade pela ordem judicial, um indignado Kuczynski disse que era ridículo e denunciou uma "perseguição" contra ele em declarações aos meios de comunicação no Peru e na Colômbia.

"Parece ridículo para mim", disse por telefone a um repórter do programa Panorama.

"Há uma perseguição aqui, respondi à procuradoria todas as vezes que fui (convocado). O pessoal da Odebrecht foi muito claro sobre eu não ter nada a ver com essas acusações e, bem, verei o que eles estão tentando me dizer agora. Não posso dizer mais nada", disse Kuczynski em comunicado à rádio W da Colômbia.

"Eu cumpri tudo, e isso é muito claro: não tenho nada a ver com isso", ressaltou.

- "Vamos recorrer" -

Kuczynski, um ex-banqueiro de Wall Street de 80 anos, cumprirá a sentença de prisão na sede policial da Divisão de Investigações de Alta Complexidade (Diviac) em Lima.

Eleito em 2016, renunciou em março de 2018 à presidência do escândalo, que o tornou o primeiro presidente em exercício na América Latina a deixar o cargo no caso da Odebrecht. A prisão também inclui sua ex-secretária, Gloria Kisic, e seu motorista, José Luis Bernaola.

O advogado de Kuczynski, Nelson Miranda, considerou arbitrária a sentença de prisão: "É uma decisão que vamos recorrer", disse a repórteres.

No Peru, o escândalo da empresa brasileira Odebrecht também afetou os ex-presidentes Alejandro Toledo (2001-2006), Alan García (2006-2011) e Ollanta Humala (2011-2016), todos investigados pela promotoria.

A líder da oposição, Keiko Fujimori, cumpre prisão preventiva desde outubro de 2018 também por suposta lavagem de dinheiro depois de receber recursos da Odebrecht para sua campanha.

- Busca de documentos -

Kuczynski permanece no Peru desde que renunciou, impedido por uma ordem judicial de deixar o país enquanto durar a investigação. Suas contas bancárias foram confiscadas.

Um tribunal de justiça negou-lhe em julho passado uma permissão para se submeter a exames médicos nos Estados Unidos, onde viveu durante anos como um banqueiro de sucesso.

A Odebrecht afirmou ter pago quase cinco milhões de dólares a Kuczynski por ter assessorado duas empresas ligadas a ele, a First Capital e a Westfield Capital, enquanto ele era ministro de Alejandro Toledo (2001-2006). Até então, Kuczynski havia negado qualquer vínculo com a empresa brasileira.

Agora, os procuradores estão procurando documentos que liguem Kuczynski ao conselho da Odebrecht para essas empresas, disse uma fonte da procuradoria.

Além disso, Jorge Barata, ex-chefe da Odebrecht no Peru, disse aos promotores peruanos no Brasil que a empresa contribuiu com US$ 300.000 para a campanha presidencial de 2016 de Kuczynski por Susana de la Puente, atual embaixadora do Peru no Reino Unido.

Toledo, por sua vez, é acusado de receber 20 milhões de dólares em subornos para escolher a Odebrecht como construtora de estradas na Amazônia. O Peru solicita sua extradição dos Estados Unidos.

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