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Ex-presidente peruano Alberto Fujimori volta para a prisão

(23 jan) Foto cedida pela família de Fujimori mostra o ex-presidente peruano na clínica de Lima afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 24. janeiro 2019 - 11:22
(AFP)

O ex-presidente peruano Alberto Fujimori foi levado na noite desta quarta-feira da clínica em Lima onde estava hospitalizado desde outubro passado para um batalhão das forças especiais em Lima.

Fujimori, 80 anos, foi transferido em uma caminhonete branca, para o mesmo local onde permaneceu detido por uma década, onde deve completar sua pena de 25 anos por crimes contra a humanidade.

O ex-presidente saiu acompanhado por seu filho mais novo, Kenji Fujimori.

O veículo seguiu escoltado por motocicletas e vários carros da polícia para um trajeto de meia hora até o batalhão em Barbadillo, no leste da capital.

O ex-presidente foi internado em 3 de outubro ao sofrer uma descompensação em sua casa, depois que um tribunal anulou o indulto que havia sido concedido pelo então presidente peruano Pablo Kuczynski na véspera do Natal de 2017.

Uma junta médica concluiu que o ex-presidente tem condições de continuar seu tratamento no ambulatório do batalhão das forças especiais.

Fujimori, que governou o Peru de 1990 a 2000 com mão dura, teve seu indulto presidencial anulado pela justiça, e recorreu ao Supremo Tribunal, que analisa a questão.

Fujimori permaneceu preso na mesma base policial para a qual retornou na quarta-feira entre 2007 e 2017, depois de chegar ao país extraditado do Chile. Ele será o único detento no local, onde receberá atendimento médico permanente.

O destino de Fujimori não está definido a nível judicial, pois a Suprema Corte ainda precisa decidir sobre um recurso de apelação contra a anulação do indulto.

- Fim próximo -

"Sinto que o fim está próximo", afirmou o ex-presidente à AFP em um bilhete escrito ainda na clínica.

"Se na tranquilidade de estar hospitalizado atravesso uma perigosa montanha russa, na prisão esta situação será muito mais grave e instável".

"É por isto que voltar à prisão representa uma pena de morte lenta e certa", completa no bilhete o engenheiro e matemático de 80 anos.

"O julgamento da história será mais justo que o julgamento dos meus inimigos políticos", afirmou Fujimori.

"Podem tirar a minha vida, mas nunca o que eu fiz. O Peru jamais voltará a ser o país inviável que recebi" em 1990, com hiperinflação de 7.600% e a violência guerrilheira do Sendero Luminoso.

"Caminho para o fim da minha vida com a satisfação de ter ajudado a mudar a história do meu país".

"Os antifujimoristas não querem reconhecer as grandes mudanças estruturais da década de 90 que beneficiaram toda a população. Vivem apenas de seu ódio aos Fujimori. Querem me matar lentamente".

"Jamais imaginei que a política poderia produzir tanto mal à minha família. Sinto como se uma maldição tivesse caído sobre nós".

"Minha filha (Keiko) jamais chegou à presidência, mas é o único político na prisão pelo caso Odebrecht. Ela deveria enfrentar o processo em liberdade, mas está na prisão por motivações 100% políticas", concluiu.

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