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O vice-presidente do Equador, Jorge Glas, em Quito, em 2 de outubro de 2017

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Em uma entrevista com a AFP na Prisão 4 de Quito, onde cumpre prisão preventiva pelo caso Odebrecht, o vice-presidente Jorge Glas diz ser vítima de uma "vingança" da empreiteira e acusa a Justiça do Equador de ceder "à pressão política e midiática".

Glas, um dos homens mais poderosos do correísmo, se tornou em 2 de outubro o político em atividade de maior escalão a ficar atrás das grandes pelo escândalo dos milionários subornos da Odebrecht em 12 países da América Latina e África.

Um juiz ditou essa medida cautelar se baseando, entre outras coisas, no depoimento de José Conceição Santos Filho, um delator e ex-diretor da empresa, que acusou o vice-presidente de ter recebido propinas de 16 milhões de dólares por meio de seu tio Ricardo Rivera.

Desde então, Glas passa seus dias em um pequeno presídio do norte da capital junto com cerca de 50 presos, como ex-policiais condenados por violações de direitos humanos, à espera de que a Procuradoria decida nos próximos dias se o acusa formalmente ou não em um julgamento penal por associação ilícita.

Sentado diante de uma mesa de madeira no pátio da prisão, Glas denunciou na sexta-feira, em sua primeira entrevista como detido, as "irregularidades" em um processo judicial que tem de fundo a luta de poderes entre o presidente Lenín Moreno e o ex-presidente Rafael Correa, seu grande aliado.

- Antes de 24 de maio, quando Moreno assumiu o poder, você se imaginava nessa situação?

"Jamais cometi qualquer crime e uma pessoa que não comete crimes jamais se imagina em uma situação desta natureza".

- Hoje (sexta-feira) ratificaram a prisão preventiva e na semana que vem decidirão se vão acusá-lo...

"Eu espero uma acusação do procurador. A pergunta é com que provas. Ou por acaso o meu acusador, que é um corrupto confesso que reconheceu que montou uma rede transnacional de corrupção em 12 países, se tornou uma prova?

A Procuradoria ficou somente com a acusação de Santos porque não há um só feito ilícito da minha parte, não conheço outros envolvidos neste caso, excetuando-se meu parente, Rivera, que declarou que agiu no privado.

Nem com testemunhas falsas, nem com cartas ilegais, nem com pendrives misteriosos, nem com testemunhas protegidas conseguiram encontrar uma só prova contra mim, nem um centavo ilegítimo em meu patrimônio".

- Você disse várias vezes que Marcelo Odebrecht o ameaçou quando a empresa foi expulsa do Equador em 2008. Está cumprindo a sua ameaça?

"Evidentemente. A Odebrecht planejou a sua vingança desde o dia em que eu pedi a sua expulsão quando se negou a consertar a hidrelétrica San Francisco. Marcelo Odebrecht veio, se reuniu comigo, e insinuou que nós usávamos politicamente, para ganhar votos, essa briga.

Eu o expulsei do meu gabinete, a empurrões (...). Me ameaçou e disse 'não vai ser para sempre um funcionário público, você vai ver', e foi embora".

- Você acusa diretamente Moreno por você estar aqui?

"Eu não posso fazer uma referência dessa natureza, e tampouco ouvirá da minha boca qualquer adjetivo contra o presidente Moreno. Continuo sendo seu vice-presidente.

Tudo isso é uma montagem econômica onde se une a vingança de uma empresa corrupta e corruptora, o poder midiático deste Equador e o poder econômico e financeiro.

Sou uma pedra no sapato porque sou progressista, então todos convergem em um grande objetivo, que é me tirar da vice-presidência (...). A estratégia é atacar o ex-presidente Correa e destruir a Revolução Cidadã".

- Se Moreno tivesse colocado a mão no fogo por você, como Correa faz, você estaria aqui?

"Acredito que não. Sem dúvidas, o sistema de justiça está cedendo à pressão midiática e à pressão política.

Eu não estou falando que há uma aliança da Odebrecht com o presidente Moreno. Eu acho que são coisas separadas, mas que têm o mesmo objetivo: tirar Glas".

- Anteriormente a oposição já lhe acusava de corrupção?

"Sim, mas a oposição me acusa há mais de dois anos, e até agora não conseguiram apresentar nada contra mim.

Eu não sei como vão sustentar os processos judiais desta natureza, mas o estão fazendo com linchamento midiático e pressão política dos opositores, e também de dentro do governo, sem dúvida alguma".

- A guerra interna no governo já não tem mais volta?

"Eu não vejo uma guerra interna; sim, vejo que há companheiros que se calam, e isso é muito grave, provavelmente por medo, porque se falarem perderão o emprego".

- Correa apontou a possibilidade de uma Constituinte se a consulta popular anunciada por Moreno pudesse supor um retrocesso para as conquistas do correísmo. Você acha possível?

"Com certeza".

- Depois disso, voltará à política?

"Eu saio da política, estou enojado disso. Eu já prometi a minha família, já quebrei a promessa uma vez e acabei aqui".

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AFP