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O chefe do Hamas, Khaled Mechaal, fala com a AFP em entrevista exclusiva concedida em 10 de agosto de 2014

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Qualquer trégua duradoura deve resultar na suspensão do bloqueio a Gaza, declarou à AFP o chefe do Hamas, Khaled Meshaal, em uma entrevista exclusiva à AFP neste domingo, em Doha, capital do Catar.

"A trégua é um dos meios ou das táticas destinadas a fazer que as negociações deem resultado, ou enviar ajuda humanitária", afirmou Meshaal, acrescentando que "o objetivo atual, indispensável para nós, é que as demandas palestinos sejam satisfeitas e que a Faixa de Gaza viva sem o bloqueio", acrescentou.

"Insistimos nesse objetivo e, em caso de dúvida e da continuação da agressão, o Hamas e outras facções palestinas estão dispostos a resistir no terreno e no plano político (...) e a enfrentar todas as eventualidades", acrescentou.

Meshaal, dirigente do Hamas no exílio em Catar, deu essas declarações quando os palestinos acabavam de anunciar o acordo para uma trégua de 72 horas na Faixa de Gaza. Pouco depois, Israel confirmou que aceitou a proposta de cessar-fogo feita pelo mediador Egito.

Por cerca de uma hora, Khaled Meshaal respondeu as perguntas da AFP, em sua residência em Doha, cercada por rígidas medidas de segurança.

Falando de modo pausado, Meshaal reiterou que a suspensão do bloqueio que asfixia o território desde 2006 é um pedido que não tem nada de "fantasioso".

"Não é um pedido fantasioso, pois é um direito do povo palestino viver sem bloqueio, um bloqueio que o faz passar fome e o impede de sair de Gaza. A Faixa de Gaza deve ser aberta para permitir a dois milhões de palestinos viajar, ir para outras bandas para serem atendidos no médico, ou estudar no estrangeiro como todos os povos do mundo", afirmou.

"Uma das consequências dessa guerra é que o assunto da abertura dos terminais foi posto nas agendas regionais e internacionais", apontou.

Além da suspensão do bloqueio, o Hamas pede, em especial, a reabertura do aeroporto e o início das obras de um porto, o qual Israel rejeita por medo de que o movimento islâmico transporte armas sofisticadas para o enclave palestino.

Em relação às perdas humanas sofridas pelos palestinos - mais de dois mil mortos, civis em sua maioria, além de muitas crianças -, Meshaal considerou que "nenhum povo se libertou da ocupação sem antes pagar o preço".

Como exemplo, ele citou "1,5 milhão de argelinos e 3,5 milhões de vietnamitas, que perderam a vida durante suas guerras coloniais".

Para Meshaal, a outra consequência da guerra é que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu "sofreu uma derrota no plano militar".

"Netanyahu tenta fazer demagogia, depois de ter perdido no plano militar", criticou.

"Ele se debate em uma crise interna e tenta alcançar, por meio da negociação, o que não conseguiu no plano militar", disse o chefe do Hamas.

Para ele, o premiê israelense foi "surpreendido pela força da resistência palestina", ao se referir aos 64 soldados israelenses mortos desde 8 de julho passado.

"As manifestações pelo mundo e a fúria contra os crimes de Israel obrigaram Netanyahu a retirar seu Exército da Faixa de Gaza", avaliou Khaled.

"Netanyahu enfrenta sua opinião (pública), que considera que a operação armada não teve sucesso e não trouxe a segurança esperada aos israelenses e enfrenta pressões internacionais para pôr fim à guerra", acrescentou.

Ao ser questionado sobre se o Hamas está disposto a negociar a paz com Israel, Meshaal respondeu que não é "proibido, do ponto de vista do Islã, falar com seu inimigo (...) mas a negociação supõe que ele esteja a favor da paz, o que não é o caso de Israel".

Meshaal declarou ainda que eles não romperam os contatos com o Irã e com o Hezbollah xiita libanês, inimigos de Israel e aliados tradicionais do Hamas.

"Houve contatos com o Irã antes e depois da guerra, e não há ruptura entre nós e o Hezbollah", frisou, ressaltando que "o que nos une é nosso combate comum à ocupação israelense".

AFP