O Rijksmuseum de Amsterdã apresentou nesta quarta-feira (13) sua primeira exposição de todas as obras de Rembrandt por ocasião do 350º aniversário da morte do famoso pintor holandês, apelidado de "primeiro instagramer", sem quem as redes sociais não seriam o que são hoje em dia.

A exposição histórica, que reúne cerca de 400 pinturas, desenhos e esboços, procura ilustrar como os inúmeros autorretratos do mestre da era dourada da pintura holandesa e suas representações do mundo ao seu redor inspiraram e refletiram a sociedade atual.

"Rembrandt foi o primeiro artista da história, inclusive poderíamos dizer o primeiro 'instagramer', que capturou sua própria vida", apontou o diretor do Rijksmuseum, Taco Dibbits.

"Nenhum artista realizou tantos autorretratos como Rembrandt. Pintava sua família, desenhava seus amigos, saía na ruam no campo, e nos deixava entrar em seu próprio quarto, ou nos mostrava a esposa enferma", comentou Dibbits para a AFP.

- "Selfies" -

A exposição, aberta ao público de 15 de fevereiro a 10 de junho deste ano, será a última oportunidade de admirar serenamente sua famosa obra-prima "De Nachtwacht", antes de que o enorme quadro seja confiado durante vários meses aos restauradores.

Também se trata de uma rara ocasião para ver as obras menos conhecidas de Rembrandt Van Rijn (1606-1669).

"Pela primeira vez na história, exporemos no Rijksmuseum todos os Rembrandt que temos: 22 pinturas, 300 esboços e 60 rascunhos", comemora Dibbits.

Algumas obras são expostas em raras ocasiões. "A luz empalidece os desenhos. Por isso quase nunca os mostramos, uma exposição como essa não será vista novamente nesta geração", adverte.

Nas paredes das numerosas salas que abrigam a exposição há uma quantidade de autorretratos, que representam o pintor da juventude até os dias com cabelos já grisalhos, apenas o rosto iluminado e atormentado pela falta de dinheiro.

A exposição da imensa coleção do artista poderá também provocar reflexões entre os visitantes sobre a época atual, em que as redes sociais são onipresentes.

"Se utilizo palavras como 'selfies' e 'Instagram', é porque Rembrandt delineou nossa visão atual do mundo e a maneira como fotografamos", afirma o diretor do Rijksmuseum.

"Se Rembrandt não tivesse existido, ainda estaríamos representando ou tentando refletir imagens de deuses e deusas e histórias da antiguidade", continua.

"Rembrandt (com seu trabalho) torna extraordinária nossa vida cotidiana", avalia Dibbits.

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