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Rex Tillerson em Washington

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O expurgo sem precedentes realizado na Arábia Saudita em nome da luta contra a corrupção começa a causar "preocupação" em Washington, poucos dias depois que o presidente Donald Trump expressou apoio total à operação de seu aliado saudita.

Mais de 200 pessoas foram presas em 4 de novembro como parte de um expurgo visando, inclusive, príncipes, ministros e empresários.

A operação foi conduzida após o estabelecimento de uma nova comissão anticorrupção presidida pelo jovem príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, cujo controle sobre o regime está crescendo.

As personalidades presas - detidas em um local não informado pelas autoridades - serão julgadas por um tribunal, de acordo com o procurador-geral.

O chefe da diplomacia americana, Rex Tillerson, afirmou nesta sexta-feira que o expurgo tem provocado "algumas preocupações". "Falei com o ministro das Relações Exteriores, Adel al-Jubeir, para esclarecimentos, e acredito que, com base nessa conversa, a intenção é boa", disse Tillerson no avião que o conduziu a Danang, no Vietnã.

Na segunda-feira, o presidente Trump expressou seu apoio total para essas prisões.

- 'Eles sangram o país' -

O rei Salman e o príncipe herdeiro "sabem exatamente o que estão fazendo", tuítou Trump. "Alguns deles 'sangram' seu país há anos!", justificou.

Esse apoio do presidente americano aos líderes sauditas, especialmente contra o Irã, o inimigo comum, preocupa observadores e especialistas da região, que consideram uma atitude muito arriscada.

O príncipe Mohamed, filho do rei Salman, é considerado o líder de fato da monarquia governante. Controla as principais instâncias de poder, desde a defesa até a economia, e parece disposto a acabar com qualquer oposição interna antes que seu pai, de 81 anos, entregue a ele formalmente o poder.

Este expurgo ocorre em um tenso contexto regional, com Arábia Saudita e Irã enfrentados pela guerra no Iêmen e uma possível crise política no Líbano após a renúncia do primeiro-ministro Saad Hariri, anunciada em Riad.

O Iêmen, país da Península Arábica e um dos mais pobres do mundo, é palco da pior crise humanitária do mundo, de acordo com a ONU.

Após um ataque frustrado contra o aeroporto de Riad no sábado, reivindicado pelos rebeldes huthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, a Arábia Saudita acusou Teerã de uma "agressão direta".

O Irã rejeitou as acusações de que fornece mísseis aos rebeldes xiitas e advertiu os sauditas do "poder" iraniano.

Diante do risco de conflagração, o presidente francês, Emmanuel Macron, fez uma visita surpresa à Arábia Saudita, onde se encontrou com o príncipe herdeiro.

Em um comunicado, o palácio do Eliseu ressaltou que os dois homens conversaram "longamente sobre a importância de preservar a estabilidade da região, lutar contra o terrorismo e, sobretudo, trabalhar pela paz".

Além disso, Macron "lembrou da importância que a França confere à estabilidade, segurança, soberania e integridade do Líbano".

Na semana passada, o primeiro-ministro libanês, Saad Hariri, de visita a Riad, renunciou ao criticar o "controle" exercido pelo Irã em seu país, chegando a afirmar que temia por sua vida.

Diante da situação no Líbano, a Arábia Saudita e o Kuwait pediram nesta quinta-feira a seus cidadãos que deixem o "Líbano quanto antes" e que não viajem a esse país, embora não tenham mencionado nenhuma ameaça específica.

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AFP