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Fahamiya Shamasneh chora no dia 5 de setembro de 2017 após ser expulsa de sua casa no bairro de Sheij Jarrah, em Jerusalém

(afp_tickers)

"Há injustiça maior do que esta?", questiona Fahmiyeh Shamasneh. Sua família foi expulsa nesta terça-feira pela polícia israelense da casa em que vivia há 50 anos em Jerusalém Oriental.

Para os simpatizantes desta família palestina, trata-se de um novo exemplo da "judaização" de Jerusalém Oriental, anexada e ocupada, pois não há dúvidas que neste caso a residência abrigará colonos judeus.

Uma vez efetuada a expulsão, alguns homens judeus entraram na casa, protegidos pela polícia, constatou um jornalista da AFP.

O futuro dos Shamasneh atraiu a atenção de ONGs contrárias à colonização e atentas à situação de Jerusalém Oriental, um dos temas mais espinhosos do conflito israelense-palestino. União Europeia, França e Nações Unidas criticaram esta expulsão.

- De madrugada -

Os policiais israelenses se apresentaram às 05H00 na porta da pequena casa onde viviam Fahmiyeh Shamasneh, de 75 anos, seu marido doente de 84, seu filho e a família deste, e os desalojaram, relataram familiares, sentados na rua após a expulsão.

Shamasneh diz que ela e sua família não têm aonde ir. "Talvez tenhamos que dormir na rua", afirma.

Os Shamasneh foram expulsos em função de uma decisão da justiça israelense, colocando fim a uma batalha de anos com a administração e os judeus que afirmam ser os herdeiros dos antigos proprietários da casa.

Israel proclama o conjunto de Jerusalém como sua capital indivisível. A comunidade internacional não reconhece a anexação e considera que a colonização dos territórios ocupados - ilegal segundo o direito internacional - é um obstáculo à paz.

Os palestinos, por sua vez, querem transformar Jerusalém Oriental na capital do Estado ao que aspiram.

Os Shamasneh tinham se mudado em 1964. Antes de 1948, a casa pertencia a judeus, mas estes - como outros milhares - fugiram quando os jordanos se apoderaram de Jerusalém Oriental na primeira guerra árabe-israelense.

Com a conquista de Jerusalém Oriental por Israel em 1967, os Shamasneh e os inquilinos palestinos na mesma situação passaram a ficar sob a autoridade de um organismo israelense.

Segundo a organização israelense de esquerda Paz Agora, este organismo e os herdeiros dos ex-proprietários judeus tentaram expulsar os ocupantes.

- Uma lei unilateral -

Uma lei israelense permite que os judeus que justificarem seus direitos sobre propriedades em Jerusalém Oriental anteriores a 1948 possam recuperá-las. Esta lei não tem equivalente para os palestinos que fugiram de suas terras ou casas.

Em 2013, os juízes israelenses decidiram que os Shamasneh deviam deixar a casa.

Entretanto, os herdeiros da casa venderam seus bens para uma sociedade baseada nos Estados Unidos, segundo a movimento Paz Agora.

A expulsão dos Shamasneh é a primeira desde 2009 no bairro de Sheij Jarrah, estrategicamente localizado perto da Cidade Velha, segundo a Ir Amim, outra organização israelense que os apoia.

Após anos de paralisação das expulsões, este desalojo coincide com a promoção de quatro projetos de colonização no bairro, de acordo com a Ir Amim.

Os judeus em Jerusalém Oriental, que eram algumas centenas em 1967, são hoje cerca de 195.000, em uma população total de 450.000 pessoas.

"Os colonos, apoiados pelo governo, se beneficiam de uma lei discriminatória para modificar o status quo e 'israelizar' os bairros palestinos de Jerusalém", assegura a Paz Agora.

A agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA) disse que ia tentar ajudar economicamente os Shamasneh para que encontrem outra casa.

O chefe de operações da UNRWA na Cisjordânia, Scott Anderson, disse à AFP que "este tipo de expulsões dificultam a obtenção da paz" entre israelenses e palestinos.

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AFP