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Coluna de guerrilheiros das Farc caminham na zona de padronização de Pondores, La Guajira, 3 de abril de 2017

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As Farc entregaram, nesta terça-feira (13), a uma missão da ONU na Colômbia, parte de um segundo lote de fuzis, pistolas, lança-granadas e lança-foguetes, na segunda fase do processo de desarmamento previsto no acordo de paz assinado com o governo.

"Está sendo concretizado um passo muito importante na deposição das armas", disse o presidente Juan Manuel Santos, ao comemorar a entrega de parte do segundo lote de 30% do arsenal da guerrilha em um ato simbólico em La Elvira, departamento (estado) do Cauca (sudoeste), aonde não conseguiu chegar devido às condições climáticas.

O ex-presidente uruguaio, José Mujica, e o ex-chefe de governo espanhol, Felipe González, tampouco puderam participar do evento, razão pela qual seguiram e celebraram com Santos a entrega simbólica na cidade de Cali.

Em La Elvira, um delegado da missão da ONU, encarregado do processo, recebeu o lote de armas e comprovou que estavam sem munição antes de identificá-las e colocá-las em depósitos.

"A deposição de armas, cabalmente executada até o momento, é apenas um dos compromissos mútuos a cumprir", disse o comandante guerrilheiro Pablo Catatumbo em La Elvira, um dos 26 pontos do país onde se concentram cerca de 7.000 guerrilheiros das Farc, cumprindo seu processo de desarmamento e reinserção na vida civil após um conflito de mais de meio século.

Demora na aplicação do acordo

O chefe negociador das Farc, Iván Márquez, aproveitou o evento para reivindicar ao presidente Santos mais garantias econômicas e sociais para os rebeldes, como acesso à terra, educação, habitação e saúde, mas sobretudo pediu agilidade na entrega de anistias e indultos.

"Neste processo, a preocupação central não pode ser o destino das armas, mas o destino de homens e mulheres que começam a dar seus passos para a construção de um novo país", disse.

Santos, Prêmio Nobel da Paz 2016 por seu trabalho para levar a paz à Colômbia, reconheceu a demora, mas assegurou que seu governo faz "tudo o necessário" para consolidar a segurança jurídica reivindicada pelas Farc para seus combatentes.

"Efetivamente, deveríamos ter mais anistias do que temos neste momento", afirmou o presidente, que atribuiu a demora a uma sentença recente da Corte Constitucional.

Mujica, enquanto isso, lembrou os colombianos de que a paz é "um processo longo". "É preciso desmantelar não sei quantos anos de dor, que não se apagam de um dia para o outro", disse. Enquanto que para González, "estar no segundo momento da entrega de armas significa irreversibilidade" da paz.

Principal e mais antiga guerrilha do continente, as Farc deveriam ter completado a deposição das armas em 31 de maio, segundo o acordo de paz assinado em novembro, mas o processo foi adiado devido a problemas logísticos e deverá terminar em 20 de junho.

Sessenta por cento das armas

Alguns guerrilheiros de La Elvira receberam seu certificado de deposição de armas por parte da ONU, um procedimento que se repetirá em todo o país terça e quarta-feira (14), o que aumentará a 60% o percentual de armas entregues por combatentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc, marxistas).

La Elvira é uma das 26 zonas em que estão concentrados sete mil combatentes das Farc, cumprindo seu processo de desarmamento e reinserção na vida civil.

Na semana passada, segundo as Nações Unidas, foi entregue um primeiro lote, correspondente a 2.300 armas.

Mas, além disso, falta a extração do arsenal pesado localizado em mais de 900 "caletas", como se denominal os depósitos enterrados pelas Farc, e que deverá ser destruído pela ONU no mais tardar em 1º de setembro.

"Com o registro, pelas Nações Unidas, de pelo menos uma arma por homem, o processo da Colômbia está entre os processos mais bem sucedidos dos verificados internacionalmente", disse, de La Elvira, o chefe da Missão da ONU na Colômbia, Jean Arnault.

Echandía destacou, no entanto, que o volume de armas entregues pelas Farc é superior ao deposto pela guerrilha M-19 e também ao das paramilitares Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), após a desmobilização.

Segundo estimativas oficiais, cerca de 700 militantes do M-19 entregaram em 1990 umas 280 armas. Enquanto isso, em sua desmobilização, em 2006, as AUC deram 18.000 armas e eram mais de 30.000 paramilitares.

O acordo de paz prevê que as armas das Farc sejam usadas para construir três monumentos que serão colocados na sede da ONU, em Nova York, em Cuba - sede das negociações - e na Colômbia.

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AFP