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Membro das Farc em Colinas, em departamento Guaviare, em 14 de junho de 2017

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A guerrilha das Farc completou a histórica entrega de todas as suas armas individuais à missão da ONU na Colômbia, prevista no acordo de paz para pôr fim a mais de meio século de conflito, informou nesta segunda-feira o organismo internacional.

"No dia de hoje (segunda-feira), a Missão armazenou o conjunto das armas individuais das Farc registradas: 7.132 armas, salvo aquelas que (...) servirão para dar segurança aos 26 acampamentos" onde estão concentrados cerca de 7.000 guerrilheiros, afirmou a ONU em um comunicado.

O anúncio ocorre na véspera de um ato de conclusão do desarmamento que contará com a participação do presidente Juan Manuel Santos e do chefe das FARC, Rodrigo Londoño ("Timochenko"), às 10H00 do horário local (15H00 GMT, 12H00 horário de Brasília) em Mesetas, departamento Meta (centro), onde a guerrilha se estabeleceu e formou seu centro de operações há mais de 50 anos.

"Acabo de chegar a Mesetas, se sente grande emoção e muita expectativa. #DasArmasàsPalavras", escreveu em sua conta no Twitter "Timochenko", vestido com uma camiseta azul com a palavra "Norway" (Noruega), que junto com Cuba foi país garantidor do acordo de paz assinado em novembro do ano passado.

O ato de terça-feira é considerado histórico por ser visto como o fim das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) como guerrilha, surgida em 1964 após uma sublevação campesina e atuante por mais de cinco décadas sob um único comando e inspirada pelo marxismo-leninista.

"É um momento histórico para o país, estamos deixando para trás uma época histórica, vamos em frente", disse a jornalistas em Mesetas o comandante guerrilheiro e negociador de paz Pablo Catatumbo.

Acredita-se que a cúpula da guerrilha assistirá a cerimônia.

- Destruição de armas -

Em 20 de junho, teve início a terceira e última fase da entrega de armas das Farc, um momento definitivo na transição do movimento de guerrilha mais antigo do continente para a vida civil. As Farc vão se tornar um movimento político.

Nos últimos dias, o grupo rebelde apresentou 40% de seu arsenal, depois de ter entregue semanas atrás a porcentagem restante.

Uma missão da ONU, com 450 observadores, é encarregada de confirmar o desarmamento, armazenar o arsenal e destruí-lo até 1 de setembro.

O organismo ressaltou que até agosto os guerrilheiros vão continuar em posse de um lote de armas para garantir as 26 áreas de concentração, conhecidas como zonas de desarmamento. A ONU não determinou quantas armas poderão ser usadas.

"Nesta data, a Missão terá armazenado todo o armamento dos campos e extraído seus conteúdos das zonas de desarmamento, que passarão a ser Espaços Territoriais de Capacitação e Reincorporação", explica a nota oficial.

Paralelamente, a ONU vai continuar com a localização de mais de 900 abrigos e esconderijos de armas e explosivos das Farc.

"Até o momento, a Missão verificou 77 esconderijos, em que as armas foram extraídas e as munições, os explosivos e as armas instáveis foram destruídos", indica.

O acordo de paz prevê que as armas das FARC sejam fundidas e que o material seja usado na elaboração de três monumentos que serão colocados na sede da ONU em Nova York, em Cuba e na Colômbia.

- Futuro político -

A fim de virar a página do conflito que deixou aproximadamente 260.000 mortos, 60.000 desaparecidos e 7,1 milhões de deslocados, as FARC agora enfrentam desafios em dois cenários: a justiça transicional e seu futuro político.

Após a entrega do fuzil, a ONU expede certificados de Entrega de Armas que permitirão aos ex-combatentes iniciar sua transição à legalidade e ao movimento político, cuja definição se realizará durante um congresso do grupo rebelde previsto para agosto.

Os guerrilheiros serão submetidos a um sistema de justiça especial, denominado Jurisdição Especial para a Paz (JEP), cuja aplicação demorada preocupa os guerrilheiros.

O acordo de paz, assinado após quatro anos de negociações, estipula anistias a guerrilheiros por delitos políticos.

Os acusados de crimes graves que confessarem poderão evitar a prisão e receber penas alternativas. Se não o fizerem e forem declarados culpados, serão condenados a penas de oito a 20 anos de prisão.

O governo de Santos busca a "paz completa" na Colômbia. Por isso também negocia com o ELN, único grupo rebelde ativo do país. Essas negociações avançarão se houver cessar-fogo.

AFP